Por Paulo Faria*
Grapevine, Texas — A edição de 2026 da CPAC confirmou aquilo que já se desenhava nos bastidores da política norte-americana: Donald Trump segue como a principal força do conservadorismo nos Estados Unidos.
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A tradicional pesquisa informal realizada durante o evento revelou números expressivos. Entre milhares de participantes, 96% aprovam Trump, enquanto 94% o consideram o presidente mais eficaz de suas vidas, índices que reforçam não apenas sua liderança, mas também o grau de identificação com sua agenda política.
O levantamento também indica a continuidade do movimento. O vice-presidente J.D. Vance aparece com 92% de aprovação, consolidando-se como nome central na próxima geração conservadora e já no radar para 2028 para sucessão do próprio Trump.
Mais do que números, a CPAC 2026 evidenciou um movimento politicamente organizado e com prioridades bem definidas. Para 93% dos participantes, o objetivo central é manter a maioria republicana no Congresso nas próximas eleições de meio de mandato.
A pauta econômica e política externa também mostra unidade. A defesa de tarifas para proteger a indústria norte-americana alcançou 91% na avaliação; o apoio a ações firmes contra o regime iraniano obteve aprovação de 89% dos presentes; e 92% endossaram as medidas contra regimes autoritários, como os da Venezuela e de Cuba.
A leitura predominante entre os participantes é clara: divergências internas não podem comprometer o avanço eleitoral. A unidade, ali, foi tratada como ativo estratégico.
Evento recorde e engajamento político
A edição deste ano registrou um crescimento de 33% no público, consolidando-se como uma das maiores da história da conferência. O volume de participantes foi tão elevado que, em determinados momentos, o acesso ao salão principal precisou ser restringido por questões de segurança, especialmente, na apresentação do príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi.

Mesmo com votações em andamento em Washington, parlamentares e autoridades priorizaram presença no evento. Isso demonstra o peso político que a CPAC adquiriu dentro do campo conservador.
Entretanto, os participantes sentiram a ausência do líder, Trump, que não pôde participar do CPAC, pela primeira vez.
Força institucional e presença internacional
A lista de palestrantes refletiu o alinhamento entre o movimento e figuras centrais do establishment conservador. Entre os nomes presentes estavam os senadores Ted Cruz e Rick Scott e diversas autoridades do governo.
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No plano internacional, a conferência reforçou sua expansão. Subiram ao palco nomes como Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência do Brasil; a ex-primeira-ministra britânica Liz Truss; e Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do Irã, em momento crítico do conflito entre Estados Unidos e o seu país natal, e exilado desde a tomada de poder pelos clérigos, há 47 anos.

A organização anunciou ainda a criação da CPAC Great Britain, cuja primeira edição está prevista para julho deste ano, em Londres, o que sinaliza o avanço da articulação conservadora em expansão em escala global. Há também a possibilidade de ocorrer um CPAC Brasil na cidade de Orlando, Flórida, reforçando essa tendência.
O olhar para 2028
A pesquisa também antecipou tendências para o próximo ciclo presidencial. J.D. Vance lidera a preferência inicial, com 53%, seguido pelo secretário de Estado, Marco Rubio, com 35%. Os dados indicam uma base não apenas fiel, mas já mobilizada para a sucessão de Trump, sem romper com o eixo central representado pelo atual presidente.
Narrativas contestadas
Em contraste com análises recorrentes da grande mídia norte-americana, os participantes da CPAC rejeitam a ideia de fragmentação interna. A percepção dominante é de coesão em torno de liderança, agenda e estratégia eleitoral.
Mais do que um evento político, a CPAC 2026 ocorrida em Dallas, Texas, funcionou como uma demonstração de força: um movimento organizado, ideologicamente alinhado e orientado para a disputa de poder nos próximos anos.
A conferência serviu também para reforçar o conservadorismo alinhado a Trump, e não apenas como um fenômeno exclusivamente doméstico. O evento reforçou uma ambição internacional cada vez mais explícita: transformar a direita populista, soberanista e antiglobalista em rede política transnacional.
* Paulo Faria, jornalista e correspondente internacional da Revista Oeste
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