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Os detalhes da sigilosa e arriscada saída de María Corina da Venezuela

Em Oslo, nesta quinta-feira, 11, ela disse que teve ajuda dos EUA para sair sem ser detida pela ditadura de Nicolás Maduro

María Corina Machado, líder da oposição da Venezuela e vencedora do Nobel da Paz | Foto: Reprodução/Redes sociais
María Corina Machado, líder da oposição da Venezuela e vencedora do Nobel da Paz | Foto: Reprodução/Redes sociais

O jornal norte-americano The Wall Street Journal revelou mais detalhes da saída de María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, da Venezuela na última segunda-feira, 8.

Principal opositora da ditadura de Nicolás Maduro, ela chegou nesta quinta-feira, 11, a Oslo, e já concedeu uma entrevista coletiva nesta manhã. “Não acho que eles [ditadura] sabiam onde eu estava [escondida] e com certeza eles teriam feito todo o possível para impedir que eu chegasse aqui”, declarou aos jornalistas. “Gostaria de agradecer todos os homens e mulheres que arriscaram sua vida para que eu pudesse estar aqui hoje. Foi uma experiência, mas valeu a pena para estar aqui e contar ao mundo o que está acontecendo na Venezuela.”

Ela também disse que teve ajuda dos EUA para deixar a Venezuela, mas não deu detalhes sobre a operação. “Não posso dar detalhes porque pessoas poderiam ser prejudicadas. O regime tentou fazer de tudo para impedir que eu viesse. Eles não sabiam onde eu estava na Venezuela. Era difícil me deterem”, declarou María Corina, em entrevista. “E sim, eu recebi ajuda do governo dos EUA.”

Os detalhes da saída de María Corina

Segundo o WSJ, a operação que possibilitou a saída de María Corina Machado da Venezuela envolveu estratégias sigilosas e riscos elevados: as ações começaram na tarde de segunda-feira 8 e a líder da oposição precisou usar um disfarce, incluindo peruca, para despistar a vigilância.

Uma fonte revelou ao jornal que a saída envolveu a transposição de dez barreiras militares partindo de um subúrbio de Caracas, onde ela estava escondida, até uma vila litorânea.

Depois de chegar à costa perto da meia-noite, ela descansou poucas horas antes de embarcar, às 5h, em um barco de pesca rumo a Curaçao, enfrentando ventos intensos e mar agitado.

A travessia foi planejada durante dois meses e teve o apoio de uma rede venezuelana especializada em extrações, que comunicou militares dos EUA para evitar ataques a embarcações. “Nós combinamos que ela sairia por uma área específica para que eles não explodissem o barco”, explicou uma fonte próxima à operação.

Depois disso, embarcou em jato particular Embraer vindo de Miami e partiu de Curaçao às 6h40 de quarta-feira. O voo fez escala em Bangor, Maine, às 10h25, antes de aterrissar em Oslo à noite.

O governo Trump estava ciente do plano, afirma o WSJ, citando fontes ligadas à ação, embora o grau de envolvimento não tenha sido esclarecido. Procurados, Marinha dos EUA e Pentágono preferiram não se pronunciar, enquanto autoridades negaram o contato militar relatado.

Sobrevoo de caças F-18 dos EUA no Golfo da Venezuela

Durante o deslocamento do barco usado por María Corina, dois caças F-18 dos EUA sobrevoaram o Golfo da Venezuela por aproximadamente 40 minutos, seguindo rota próxima ao caminho marítimo da ativista, segundo dados de rastreamento de voos.

A chegada a Curaçao ocorreu por volta das 15h de terça-feira, 9, quando ela foi recebida por um agente especializado em resgates, contratado pelo governo Trump, conforme a mesma fonte.

Depois de se hospedar em um hotel para recuperar-se da viagem, um jato executivo, cedido por um parceiro de Miami, partiu de Curaçao para Oslo, com escala em Bangor, Maine. Antes do embarque, Corina gravou mensagem agradecendo “tantas pessoas que arriscaram suas vidas” para viabilizar sua saída, conforme o WSJ.

Chegada à Noruega

A chegada à Noruega ocorreu nesta quinta-feira, 11. Na cerimônia do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, presidente do comitê, afirmou que Machado viveu “uma jornada em situação de extremo perigo”. Sua filha, Ana Corina Sosa, recebeu o prêmio em nome da mãe e declarou à plateia: “Ela voltará à Venezuela muito em breve”.

Nos próximos dias, Machado pretende descansar, pois esteve isolada e com alimentação precária. Depois de uma semana, planeja visitar outros países europeus para buscar apoio à causa venezuelana e, em seguida, deve ir a Washington, segundo fonte próxima.

Impedida de disputar a presidência em 2024, María Corina apoiou Edmundo González, candidato que, segundo opositores e autoridades americanas, venceu as eleições. No entanto, Maduro declarou vitória e liderou repressão aos manifestantes. A líder foi forçada à clandestinidade, enquanto González deixou o país.

María Corina prometeu retornar à Venezuela, mesmo sob risco de prisão e processo. De acordo com pessoas próximas, ela já realizou viagens secretas anteriores, usando rotas clandestinas, como em incursões à Colômbia para encontrar o então presidente Iván Duque, aliado político.

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1 comentário
  1. Mônica Guimarães Schinemann
    Mônica Guimarães Schinemann

    Essa história merece um filme! Força minha qrida, força! Os brasileiros estão c/ vc.

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