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Netanyahu rejeita relatório sobre fome em Gaza: 'Mentira'

Primeiro-ministro diz que documento internacional é falso e defende ações humanitárias de Israel

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Alan Santos/PR
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Alan Santos/PR

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desmentiu, nesta sexta-feira, 22, um relatório que mostra suposto estado de fome na Cidade de Gaza e em áreas vizinhas. O documento é do IPC, sistema de Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Netanyahu classificou o relatório como falso e afirmou que seu governo atua para garantir ajuda humanitária ao território palestino.

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“Mentira absoluta”, disse em comunicado oficial. “Israel não tem uma política de fome. Israel tem uma política de prevenção da fome. Desde o início da guerra, Israel permitiu que 2 milhões de toneladas de ajuda entrassem na Faixa de Gaza, mais de uma tonelada de ajuda por pessoa.”

O conflito entre Israel e o Hamas se aproxima de completar dois anos.

Relatório alega escalada de fome em Gaza

Segundo o IPC, 514 mil pessoas em Gaza vivem em condições de fome. O número representa cerca de 25% da população. A previsão é de que o total alcance 641 mil até o fim de setembro.

Pela primeira vez, o IPC classificou a região norte de Gaza, incluindo a Cidade de Gaza, como em situação de fome. Áreas como Deir al-Balah e Khan Younis também podem alcançar o mesmo status até setembro.

Para declarar fome em um território, o IPC exige os seguintes critérios técnicos: 20% da população em escassez extrema, um terço das crianças em desnutrição grave e duas mortes a cada 10 mil pessoas por dia por fome ou doenças relacionadas.

Reino Unido, Canadá, Austrália e países europeus já classificaram a situação como “níveis inimagináveis”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, fala em “catástrofe humanitária épica” em um território com mais de 2 milhões de habitantes.

Protestos em Israel pressionam governo

No dia 18, Tel-Aviv registrou protestos convocados por famílias de reféns do grupo terrorista Hamas. Cerca de 500 mil pessoas participaram dos atos. Parte do comércio fechou as portas. A multidão pediu a queda de Netanyahu e o fim da guerra.

O protesto ocorreu depois da decisão do governo de Israel de intensificar a ofensiva militar em Gaza. Segundo a inteligência do país, o Hamas mantém 50 reféns na cidade, dos quais 20 estariam vivos.

‘Campanha da fome’: imagem de Israel em desgaste

Israel enfrenta sua mais longa crise diplomática. O ex-diplomata Jacob Dayan afirmou que a guerra em Gaza ganhou repercussão inédita pela força das redes sociais. Ele disse que a “campanha da fome” organizada pelo Hamas ampliou os danos à imagem do país. A estratégia dos terroristas é de acusar Israel de “genocídio por fome”.

Durante o cessar-fogo de janeiro e fevereiro, a ONU registrou entrada de alimentos suficientes para cinco meses. O gabinete israelense acreditava que restringir o fluxo enfraqueceria o Hamas e forçaria negociações.

O cálculo falhou. Isso porque organizações criminosas começaram a armazenar comida, criando escassez e uma ameaça real. Os preços nos mercados dispararam, e a maior parte dos habitantes de Gaza é de classe baixa.

Leia a reportagem “Jerusalém entre a cruz e a espada”, na Edição 284 da Revista Oeste

Nos últimos dois meses, a disputa por informação e ajuda humanitária se transformou na campanha da fome. Em 25 de julho, o jornal The New York Times publicou a foto de uma mãe palestina com uma criança cadavérica nos braços. O episódio agravou a crise de imagem de Israel.

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Foto do New York Times mostra criança palestina cadavérica, mas situação fora causada por condição genética | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Depois da publicação, Israel conseguiu provar que a condição da criança fora causada por uma doença genética. O NYT se retratou, mas os danos à imagem de Israel já estavam feitos.

Segundo investigação da The Free Press, 12 crianças apresentadas como símbolos da fome sofriam de doenças degenerativas. A revista Bild mostrou bastidores de fotos encenadas com crianças em Gaza segurando panelas vazias.

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