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Alemanha não tem planos atuais de reconhecer a Palestina como Estado

País acredita que uma solução deve ser encontrada com Israel

Cidadão passa por uma parede pintada com a bandeira da Palestina, no bairro de Belfast, na Irlanda do Norte - 1º/6/2024 | Foto: Nacho Doce/Reuters
Cidadão passa por uma parede pintada com a bandeira da Palestina, no bairro de Belfast, na Irlanda do Norte - 1º/6/2024 | Foto: Nacho Doce/Reuters

O governo da Alemanha reafirmou nesta sexta-feira, 22, que o país não pretende reconhecer o Estado da Palestina neste momento. O governo considera que tal decisão poderia dificultar os avanços para uma solução negociada de dois Estados que envolve Israel.

Durante a coletiva de imprensa, o porta-voz Stefan Kornelius afirmou que uma solução de dois Estados, obtida por meio de negociações, continua sendo o objetivo da Alemanha, embora hoje pareça distante. Segundo ele, o reconhecimento da Palestina provavelmente só ocorreria ao fim desse processo, e tomar decisões nesse sentido agora seria contraproducente.

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A posição alemã foi reiterada no mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Classificação Integrada de Segurança Alimentar, confirmou que a fome se instalou em Gaza.

Tom Fletcher, diretor de ajuda humanitária da ONU, declarou que essa crise poderia ter sido evitada se não houvesse, segundo ele, “obstrução sistemática de Israel”.

Pressão internacional pelo reconhecimento da Palestina

Atualmente, cerca de três quartos dos 193 países membros da ONU, entre eles o Brasil, já reconhecem a Palestina como Estado. Nos últimos meses, Portugal, Espanha, Noruega e Eslovênia também oficializaram esse reconhecimento, como forma de protesto contra as decisões do governo de Benjamin Netanyahu na condução do conflito.

No início de agosto, nações tradicionalmente aliadas de Israel, como Reino Unido, França e Canadá, sinalizaram que podem adotar atitude semelhante se a situação humanitária na Faixa de Gaza não melhorar.

O que é a “solução de dois Estados”, defendida pela Alemanha

A cidade antiga de Jerusalém, em Israel | Foto: Nick Brundle/Shutterstock

A proposta de dois Estados, defendida há décadas como solução para o conflito, esbarra em impasses históricos. Entre eles estão o futuro dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental — ocupados desde 1967 e hoje habitados por cerca de 700 mil pessoas — e o status de Jerusalém, reivindicada como capital por israelenses e palestinos.

A cidade é central na disputa por seu valor religioso e histórico para os judeus e pelo fato de que, entre 1948 e 1967, sob domínio jordaniano, israelenses não tinham acesso ao Muro das Lamentações. Outro ponto sensível é o direito de retorno dos refugiados palestinos expulsos ou forçados a deixar suas casas durante os conflitos.

Divisões internas também dificultam avanços. Depois dos Acordos de Oslo, o Hamas, contrário ao pacto, intensificou ataques contra Israel. O assassinato do premiê Yitzhak Rabin, em 1995, e a tomada de Gaza pelo grupo terrorista em 2007 acentuaram a fragmentação política.

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