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Minnesota revelada: como bilhões de dólares foram desviados durante a pandemia

Justiça dos EUA condena dezenas por esquemas de fraude durante a covid-19

Tim Walz, governador de Minnesota, desistiu de disputar um terceiro mandato | Foto: Walz Office/Divulgação
Tim Walz, governador de Minnesota, desistiu de disputar um terceiro mandato | Foto: Walz Office/Divulgação

Quando o democrata Tim Walz subiu ao palanque para anunciar que não disputaria a reeleição ao governo de Minnesota, no começo de janeiro, o gesto ia além de uma decisão partidária. Era o reconhecimento tácito de que seu Estado havia se tornado o epicentro de uma “fraude em escala industrial”, conforme definido por promotores federais dos Estados Unidos.

O escândalo teve origem em uma brecha aberta pela urgência da pandemia de covid-19. Sob o pretexto de garantir que nenhuma criança passasse fome durante o fechamento das escolas, o governo flexibilizou regras do Programa Federal de Nutrição Infantil e deixou de exigir que os distribuidores de alimentos estivessem vinculados a escolas credenciadas.

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Foi nesse cenário que Aimee Bock, uma pedagoga e ex-diretora de creche, e Salim Said, um empresário somali-americano dono de restaurante, construíram o que o Departamento de Justiça chamou de “o maior esquema de fraude de auxílio pandêmico dos EUA”.

Através da ONG Feeding Our Future, o grupo alegou ter servido mais de 90 milhões de refeições — que nunca existiram. No papel, o restaurante de Said era um dos maiores fornecedores de alimentos para crianças carentes de Minnesota; na realidade, os cerca de US$ 250 milhões desviados do programa financiaram a compra de veículos de luxo, imóveis residenciais e comerciais nos EUA e no exterior, viagens internacionais frequentes e até investimentos em criptomoedas.

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As investigações detalham que o restaurante, depois de ingressar no programa em abril de 2020, passou a declarar a distribuição de milhares de refeições diárias em poucos meses. Ao todo, mais de 250 pontos de alimentação foram abertos sob o guarda-chuva da Feeding Our Future. Entre 2019 e 2021, os repasses federais associados à organização saltaram de cerca de US$ 3,4 milhões para quase US$ 200 milhões.

Pressionado sobre o caso, Walz afirmou que “os programas são feitos para mover o dinheiro até as pessoas, mas os criminosos encontram as brechas”. Contudo, um relatório da auditoria legislativa de Minnesota, publicado em 2024, foi categórico ao concluir que o Departamento de Educação do Estado “falhou em agir diante de sinais de alerta” já evidentes.

Segundo o documento, parte dessa omissão teve origem na reação da organização Feeding Our Future, que chegou a processar o Estado sob alegação de discriminação racial quando os pagamentos passaram a ser questionados. A iniciativa criou um ambiente de pressão institucional sobre os órgãos de fiscalização, que passaram a operar sob o risco permanente de contestação judicial.

A dimensão racial da controvérsia não era abstrata. De acordo com dados divulgados pela Casa Branca, 85 dos 98 réus formalmente acusados nos esquemas de fraude têm origens na Somália. A concentração dos casos em um mesmo grupo tornou a fiscalização politicamente delicada, e tentativas de fiscalização passaram a ser tratadas como perseguição racial. Esse contexto ajuda a explicar por que, segundo o auditor legislativo, alertas internos foram ignorados e ações imediatas acabaram evitadas, mesmo diante de indícios concretos de irregularidades.

Escolas foram fechadas durante a pandemia | Foto: Divulgação/Pixabay

Minnesota e o “turismo de fraude”

À medida que o FBI e o Departamento de Justiça puxavam o fio da meada, descobriam que o esquema das refeições fantasmas era apenas um protótipo. A fraude havia sofrido metástase e atingido programas de habitação, cuidados ao autismo e suporte comunitário.

Um dos exemplos citados é o Programa de Estabilização Habitacional, desenhado com “baixas barreiras de entrada” para ajudar idosos e deficientes a manterem suas moradias, mas que se tornou o destino do que os promotores chamaram de “turismo de fraude”.

Os empresários Anthony Jefferson e Lester Brown, residentes na Filadélfia e sem qualquer vínculo prévio com Minnesota, se cadastraram como fornecedores de serviços de apoio à moradia a pessoas vulneráveis no Estado, pagos com recursos estaduais. Para isso, eles abriram empresas de fachada, recrutaram beneficiários e apresentaram registros falsos de atendimentos. O valor das cobranças fraudulentas atribuídas à dupla chega a aproximadamente US$ 3,5 milhões.

Simultaneamente, o programa de assistência terapêutica para crianças com autismo passou a ser explorado por meio do recrutamento de famílias da comunidade somali. Provedores como a Star Autism Center, dirigida por Abdinajib Hassan Yussuf, realizavam pagamentos mensais em dinheiro a pais que inscreviam seus filhos no programa, inclusive em casos em que as crianças não tinham diagnóstico prévio de autismo. As terapias eram supostamente realizadas por “técnicos comportamentais” que, em muitos casos, eram jovens de 18 ou 19 anos, sem qualquer treinamento ou certificação, enquanto cobranças infladas ou por serviços não prestados eram apresentadas ao Medicaid, o programa público de saúde dos EUA voltado a pessoas de baixa renda.

Trump entra em cena

Com o avanço das investigações e a multiplicação de indiciamentos, que já somam quase uma centena e mais de 60 condenações, o caso ganhou projeção nacional. O presidente Donald Trump divulgou, em janeiro, um comunicado para anunciar que o governo federal deflagrou uma resposta coordenada para enfrentar a “epidemia de fraude” em Minnesota.

Entre as medidas anunciadas está o congelamento de pagamentos do principal fundo federal de assistência a creches, além da exigência de comprovação documental e evidências materiais antes de novos repasses. A decisão ocorreu depois de vídeos do influenciador Nick Shirley mostrarem endereços de fornecedores que operavam apenas no papel, como o Quality Learning Center, que recebia rios de dinheiro enquanto as salas permaneciam vazias.

Com a repercussão, o caso deixou de ser apenas sobre desvio de recursos para alimentar o debate sobre as fronteiras da imigração, as políticas sociais e a própria estrutura do poder nos EUA. Para os parlamentares republicanos, o que aconteceu em Minnesota foi o resultado final de um “efeito dominó” de decisões ideológicas. A lógica é direta: primeiro, a flexibilização de regras durante a pandemia permitiu a expansão acelerada de programas de assistência social; em seguida, mudanças na política migratória ampliaram a entrada de imigrantes e refugiados; por fim, falhas de fiscalização em Estados governados por democratas teriam permitido que redes criminosas explorassem esses programas em larga escala.

Mas o argumento vai além do prejuízo financeiro. Para críticos como o deputado James Comer e o senador Rand Paul, a falta de reação do governo de Tim Walz teria contribuído para a atração de imigrantes e refugiados, e impactado os números do Censo. A pesquisa é responsável por definir o peso de cada Estado no Congresso e o volume de verbas federais para década seguinte.

Assim, a desistência de Walz de disputar um terceiro mandato surge como o desfecho político de um período marcado por falhas estruturais de fiscalização. Ao longo da pandemia, a rede de assistência social feita para proteger os mais vulneráveis acabou servindo para financiar o enriquecimento de redes criminosas que operavam às custas dos norte-americanos, transferindo os impostos dos contribuintes para investimentos em criptomoedas, bens de luxo e contas bancárias em outros continentes.

Leia também: “A América sempre reage”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 242 da Revista Oeste

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5 comentários
  1. Geraldo Pedro Da Costa Filho
    Geraldo Pedro Da Costa Filho

    Esse merda era o vice da Kamala Harris, imaginem se ganham!

  2. Marcos Aurélio Camilotti
    Marcos Aurélio Camilotti

    Aquela deputada Somali Ilan Omar foi beneficiada

  3. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Em todo o lugar a esquerda age do mesmo modo. Aproveitam ou criam oportunidades para mentir e roubar, usando o dinheiro de quem trabalha para enriquecer e manter o poder, fingindo que estão ajudando os “vulneráveis”.

  4. Lincoln Marcelo Pacheco de Menezes Veras
    Lincoln Marcelo Pacheco de Menezes Veras

    Imagino o que fizeram no Brasil!!!

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