publicidade
Mundo

Maduro ignora Tribunal de Haia e mantém plebiscito sobre Guiana

'Não deixaremos que ninguém nos tire o que nos pertence, nem trairemos os nossos princípios', escreveu o ditador venezuelano

Guiana | Em Caracas, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, ignorou a Corte Internacional de Justiça e manteve a votação deste domingo, 3 | Foto: Divulgação/Prensa Miraflores
Em Caracas, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, ignorou a Corte Internacional de Justiça e manteve a votação deste domingo, 3 | Foto: Divulgação/Prensa Miraflores

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) concedeu, nesta sexta-feira, 1º, medidas provisórias em favor da Guiana e contra a realização do plebiscito proposto pela Venezuela na disputa pela região do Essequibo, território rico em petróleo. Com a decisão, a CIJ espera evitar uma escalada nas tensões.

Em Caracas, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, ignorou a Corte Internacional de Justiça e manteve a votação deste domingo, 3. Ele voltou a usar as redes sociais para argumentar que Essequibo faz parte de seu território.

Receba nossas atualizações

“Não deixaremos que ninguém nos tire o que nos pertence, nem trairemos os nossos princípios”, escreveu Maduro, no Twitter/X. “Defenderemos Essequibo!”

Leia também: “Conheça a Guiana, país que atingiu PIB de US$ 15 bilhões e se tornou alvo da Venezuela”

Na decisão de ontem, a CIJ acatou o pedido da Guiana, protocolado em 30 de outubro, por medidas provisórias até que o caso seja julgado em definitivo. A Corte reconheceu que as últimas ações do governo venezuelano demonstram a urgência de acelerar o julgamento.

Sem citar o plebiscito, a CIJ determinou que nenhum dos países tome medidas para agravar o conflito. Em seu pedido, a Guiana afirma que o plebiscito pretende validar a decisão de Maduro de abandonar o processo e anexar o território, que representa cerca de 70% da superfície da Guiana.

Amanhã, os venezuelanos deverão responder nas urnas se apoiam a criação do Estado chamado “Guiana Essequiba”. A anexação já foi antecipada em mapas divulgados pela ditadura chavista e prevê que os seus 125 mil habitantes recebam cidadania venezuelana.

Guiana é rica em petróleo

O plebiscito é uma resposta da Venezuela ao leilão de exploração de petróleo anunciado pela Guiana neste ano. Caracas alega que país vizinho não tem o direito de explorar as áreas marítimas da região.

Em 2015, a Guiana fechou um acordo de perfuração com a norte-americana Exxon Mobil, depois de uma “descoberta significativa” de petróleo. Em 2018, o caso foi parar na CIJ, que ainda não tomou uma decisão final.

Na quinta-feira 30, Maduro disse que o plebiscito seria realizado de qualquer maneira. “Digo ao governo da Guiana, à ExxonMobil e ao Comando Sul dos EUA: na Venezuela, faça chuva, trovão ou relâmpago, no domingo a pátria será abençoada e o povo estará nas ruas votando”, escreveu o ditador.

Por que Essequibo virou alvo de cobiça?

A Guiana, país vizinho da Venezuela, era uma das nações mais pobres do Hemisfério Ocidental. Até que as autoridades locais descobriram bilhões de barris de petróleo na região, em 2015.

A partir disso, a vida de seus 800 mil habitantes melhorou. Para ter uma ideia, o Produto Interno Bruto (PIB) do país atingiu US$ 15,36 bilhões, em 2022.

Guiana Venezuela | Parte das águas do Rio Essequibo, território em disputa com a Venezuela, abrigou parte do petróleo encontrado em 2015 | Foto: Divulgação/Google Maps
Parte das águas do Rio Essequibo, território em disputa com a Venezuela, abrigou alguma quantidade do petróleo encontrado em 2015 | Foto: Divulgação/Google Maps

Uma parte do petróleo foi encontrada nas águas do Rio Essequibo, região que, atualmente, está em disputa. O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, exige sua anexação ao mapa venezuelano.

No próximo domingo, 3, um referendo vai consultar a população venezuelana sobre essa ideia. No entanto, a Guiana já se pronunciou contra essa possível anexação

Brasil em compasso de espera

O risco de um conflito preocupa a diplomacia brasileira. Na quinta-feira, o Ministério da Defesa intensificou a presença militar em Roraima, na fronteira com os dois vizinhos. Gisela Padovan, secretária do Ministério das Relações Exteriores para América Latina e Caribe, admitiu a preocupação, mas acredita que a disputa seja resolvida de forma pacífica.

A Guiana diz que a fronteira foi definida por uma arbitragem de 1899. A Venezuela apela a um acordo assinado em 1966 (antes da independência da Guiana do Reino Unido), que anula decisões anteriores e estabelece as bases para uma solução negociada, que nunca ocorreu.

Maduro ‘caça’ adversários políticos

Enfrentando uma crise crônica de legitimidade política e um desastre econômico, Maduro terá pela frente eleições presidenciais no ano que vem. A oposição parece unida em torno do nome de María Corina Machado, que venceu as primárias de outubro, mas permanece inabilitada e não pode disputar uma eleição pelos próximos 15 anos.

Na quinta-feira, Tribunal Supremo de Justiça prometeu revisar as inabilitações políticas depois de um acordo entre governo e oposição, que envolve a suspensão temporária das sanções econômicas impostas pelos EUA. Se Corina conseguir se lançar candidata, Maduro teria um problema nas urnas.

Observadores temem que ele possa usar a questão do Essequibo para galvanizar apoio pré-eleitoral, uma estratégia usada por outros ditadores do continente, como o general argentino Leopoldo Galtieri, que invadiu as Malvinas, em 1982, em busca de legitimidade popular — depois da derrota, acabou derrubado.


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. Reinaldo Terribelli
    Reinaldo Terribelli

    Ué ,,,, depois do plebiscito vão por em pratica as estratégias para invadir a Guiana?
    Então presume-se que o resultado já está pronto , não é?
    Tá parecendo uma eleição recente de um certo país sul americano que não lembro bem o nome .
    Tá parecendo o Paulo Leman quando disse que em 2023 teríamos outro presidente.
    O maduro vai quebrar a cara como aconteceu com Leopoldo Galtiére com a aventura das falklands .
    Mas por outro lado vai ser bom se com isso nos livrar-mos desse traste na América do sul.
    Se eles forem mesmo tentar isso e quiserem passar pelo nosso território para fazer para a invasão quero ver qual vai ser a reação desse desgoverno e principalmente das nossas FA .

  2. Route 66
    Route 66

    Na realidade esse referendo é uma farsa, o resultado todos já sabem, só que vão quebrar a cara.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade