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Khamenei diz que Irã 'não cederá ao inimigo' em meio a protestos

Líder supremo acusa interferência dos Estados Unidos no país

Ali Khamenei Irã rejeita EUA
Ali Khamenei, líder supremo do Irã | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou que o país “não cederá ao inimigo” e que resistirá a pressões externas, em discurso divulgado na última quarta-feira, 7. A declaração ocorre em meio a protestos que se espalham pelo país desde o final de dezembro.

Na ocasião, Khamenei acusou os Estados Unidos de atuarem para desestabilizar o Irã e afirmou que o país enfrenta uma estratégia externa voltada a enfraquecê-lo internamente. Segundo ele, essa tática se baseia no que chamou de “guerra branda”, definida como o uso de “mentiras, boatos, calúnias, infiltrações e enganos” para provocar desânimo e dúvida entre a população.

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“O objetivo é fazer as pessoas perderem a motivação, a esperança e a confiança em suas próprias capacidades”, afirmou. Khamenei declarou ainda que o Irã não aceitará esse processo: “Não cederemos ao inimigo. Com a confiança em Deus e no apoio do povo, vamos enfrentá-lo”.

Khamenei ainda afirmou que o povo iraniano teria compreendido a postura norte-americana, especialmente depois da Guerra dos 12 Dias, entre Israel e Irã, em junho de 2025. Segundo ele, mesmo enquanto havia negociações em curso, Washington estaria “preparando planos de guerra nos bastidores”.

O líder supremo mencionou diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, a quem se referiu como alguém que faz uma combinação de “calúnias e falsas promessas” sobre o Irã. Para Khamenei, essa retórica não teria mais impacto interno, pois a população estaria consciente da atuação norte-americana.

Trump discursa durante a Cúpula Asean-EUA em Kuala Lumpur, Malásia - 26/10/2025 | Foto: Vincent Thian/Reuters
Trump discursa durante a Cúpula Asean-EUA em Kuala Lumpur, Malásia – 26/10/2025 | Foto: Vincent Thian/Reuters

Ao final do discurso, Khamenei reafirmou que o país não aceitará imposições estrangeiras. “Quando se percebe que o inimigo quer impor algo ao país, ao governo e à nação, é preciso permanecer firme e defender”, afirmou.

No mesmo dia em que os protestos completaram 12 dias, Trump fez uma advertência pública ao regime iraniano. Em entrevista ao radialista Hugh Hewitt, afirmou que o governo dos EUA aplicaria um “golpe muito duro” caso a repressão fosse intensificada. “Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios —, se fizerem isso, os golpearemos muito duro”, declarou.

Khamenei separa manifestantes de “desordeiros”

No discurso, o líder supremo comentou as manifestações, que começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã protestaram contra o aumento de preços, a desvalorização da moeda nacional e a instabilidade cambial. Segundo Khamenei, essas preocupações econômicas são reais. “Quando um comerciante observa a queda do valor da moeda nacional e as oscilações da taxa de câmbio, ele diz: ‘Não consigo trabalhar’, e ele está certo”, afirmou.

Khamenei disse que autoridades iranianas reconhecem o problema e que o presidente e outros dirigentes atuam para buscar soluções. Ao mesmo tempo, atribuiu parte da instabilidade econômica à ação de inimigos externos. Para ele, “a alta excessiva e volátil da moeda estrangeira não é normal” e teria interferência estrangeira.

Apesar de reconhecer a legitimidade das reivindicações econômicas, Khamenei afirmou que grupos infiltrados se aproveitam das mobilizações. Segundo ele, “pessoas provocadas e mercenárias do inimigo” teriam se colocado atrás dos manifestantes para gritar slogans “contra o Islã, o Irã e a República Islâmica”. O líder supremo diferenciou protesto de violência: “Protestar é legítimo, mas protestar é diferente de tumultuar. Com manifestantes, dialogamos. Com desordeiros, não.”

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Manifestantes tomam conta do Irã

O discurso não desencorajou os manifestantes. Nesta sexta-feira, 9, o país chegou ao 12º dia consecutivo de protestos, que avançaram por uma importante avenida de Teerã e levaram ao bloqueio generalizado do acesso à internet. Levantamento da AFP identificou atos em 25 das 31 províncias iranianas. A Human Rights Activists News Agency registrou manifestações em 348 localidades distribuídas por todas as províncias.

O número de mortos permanece indefinido. A ONG Iran Human Rights informou que pelo menos 45 manifestantes morreram, entre eles oito adolescentes, além de centenas de feridos e mais de 2 mil detidos. Já dados divulgados pelo próprio regime registram ao menos 21 mortos, inclusive integrantes das forças de segurança.

Leia também: “Israel surrou o grandão arrogante”, reportagem de Augusto Nunes e Eugenio Goussinsky publicada na Edição 274 da Revista Oeste

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5 comentários
  1. Celso Ricardo Kfouri Caetano
    Celso Ricardo Kfouri Caetano

    Pelas últimas noticias já morreram mais de 200 pessoas e deve aumentar com a interrupção da internet promovida pelo velho decrépito……..USA/Israel deveriam aproveitar a oportunidade e o levante do povo e auxiliar no expurgo desses fanáticos que em nada contribuem com a humanidade………..

  2. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    PRO BEM DO IRÂ ESPERO QUE ELE VÁ PRA PARIS… VAI SE SENTIR EM CASA !

  3. Luiz Alberto Rodrigues
    Luiz Alberto Rodrigues

    Ele não temDEUS e nem o povo
    O barbudo está viajando

  4. David S
    David S

    Este débil deve estar bem escondido, e desanda a falar besteiras.
    Dar ojeriza ouvir isto falar em povo.
    O povo quer que você se exploda, idiota senil….

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