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Jacarta supera Tóquio como cidade mais populosa do mundo

Nova metodologia adotada pela ONU amplia os limites urbanos considerados para a classificação

Jacarta Capital
Jacarta, capital da Indonésia | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Uma atualização recente da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a população urbana mundial colocou Jacarta, capital da Indonésia, na liderança como a cidade mais populosa do planeta, à frente de Tóquio. A nova metodologia adotada pela organização ampliou os limites urbanos, o que incluiu cidades-satélite como Bogor e áreas periféricas e, assim, elevou a estimativa populacional de Jacarta para cerca de 42 milhões de pessoas.

Esse novo cálculo, divulgado em novembro, fez com que Jacarta subisse da 30ª posição em 2018 para o topo do ranking, ao passo que Dhaka, capital de Bangladesh, agora aparece em segundo lugar, com 36,6 milhões de habitantes. Cidades asiáticas dominam a lista das chamadas megacidades, definidas pela ONU como áreas urbanas com mais de 10 milhões de moradores.

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Apesar da discordância do governo local e de especialistas indonésios quanto à definição da ONU, a classificação destaca desafios enfrentados por Jacarta, que incluem trânsito caótico, poluição e o afundamento anual do solo em até 20 centímetros. “Este é um alerta para o governo enfrentar seriamente os problemas de Jacarta”, afirmou Azis Muslim, especialista em políticas públicas da Universidade da Indonésia, ao jornal britânico Financial Times.

O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto: expectativa de transformação econômica e geopolítica | Foto: Reprodução/Redes sociais
O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto | Foto: Reprodução/Redes sociais

Muslim defende medidas para melhorar a infraestrutura, aumentar a integração com municípios vizinhos e ampliar o acesso à moradia. O governador Pramono Anung declarou que a nova posição no ranking “não é realmente importante” por si só, mas reconheceu que “os 42 milhões relatados pela ONU nos incentivarão a estar preparados”.

Com o objetivo de aprimorar o transporte público para os 3,5 milhões a 4 milhões de trabalhadores que circulam diariamente pela cidade, Anung planeja destinar 30% do orçamento de Jacarta — estimado em US$ 4,9 bilhões para o próximo ano — à mobilidade e infraestrutura.

Contudo, os planos podem ser afetados pela decisão do presidente Prabowo Subianto de reduzir repasses para governos locais e priorizar um programa nacional de refeições escolares, orçado em US$ 28 bilhões anuais.

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Tóquio, capital japonesa | Foto: Pixabay

De acordo com Pramono, o corte de US$ 1 bilhão nas transferências federais para Jacarta em 2026 dificultará a manutenção da infraestrutura, mas ele pretende buscar alternativas de financiamento. A situação da capital indonésia é semelhante à de outras grandes cidades asiáticas, que concentram metade das 33 megacidades no mundo, segundo a ONU.

Migração, mobilidade e o papel central de Jacarta

O crescimento acelerado provoca êxodo de moradores para áreas periféricas, como relatou Hidayat, de 53 anos, que deixou Jacarta em busca de mais conforto em Tambun, a cerca de 35 km de distância. Ainda assim, a capital da Indonésia mantém papel central na política e economia do país, respondendo por 16,7% do PIB nacional apenas com seus 11 milhões de residentes oficiais.

Mesmo com a ampliação de linhas de ônibus e trem, menos de 25% da população utiliza o transporte público dentro de Jacarta, que também carece de integração eficiente com cidades vizinhas. Cici, de 27 anos, ilustra a rotina de milhões de pendulares, gastando até quatro horas diárias no deslocamento devido à difícil oferta de empregos e ao alto custo da moradia próxima ao trabalho.

Jacarta está afundando em razão de um fenômeno geológico chamado subsidência | Foto: Reprodução/YouTube/Vox

Enquanto a Grande Tóquio dispõe de vasta rede de metrô e Xangai possui 21 linhas, especialistas apontam a necessidade de Jacarta funcionar como um sistema integrado. “Se Jacarta for a única a se desenvolver, vai se tornar cada vez mais cara… Ainda mais inacessível para as pessoas viverem lá. O número de pendulares aumentará”, explicou Marco Kusumawijaya, diretor do Centro Rujak para Estudos Urbanos.

Nusantara: a proposta de uma nova capital

Na tentativa de aliviar a pressão sobre Jacarta, o ex-presidente Joko Widodo propôs a construção de uma nova capital na ilha de Bornéu, batizada de Nusantara, cujo desenvolvimento começou em 2022 e está orçado em US$ 30 bilhões. O projeto prevê conclusão total até 2045, com transferências graduais de agências governamentais, mas, desde a posse de Subianto, as obras perderam prioridade diante de políticas sociais.

Pramono Anung reconhece as dificuldades, mas reforça que Jacarta continuará a ser o principal polo econômico do país e seguirá atraindo migrantes de todo o arquipélago. “Para mim, Jacarta é uma cidade cheia de sonhos… É por isso que, como governador, não sou contra pessoas virem para Jacarta, porque é onde estão a esperança e os sonhos.”

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