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Irã aumenta repressão a cerimônias que homenageiam mortos durante protestos

Regime tenta controlar atos em memória das vítimas e usa eventos oficiais para impor narrativa

Com as luzes de seus celulares acesas, iranianos promovem cerimônias de luto | Foto: Reprodução/X
Com as luzes de seus celulares acesas, iranianos promovem cerimônias de luto | Foto: Reprodução/X

O governo do Irã passou a reprimir cerimônias de luto que marcam o 40º dia da morte de manifestantes durante a recente onda de protestos no país. O ritual, conhecido como Chehelom na tradição xiita, transformou-se em novo foco de tensão política.

Familiares e moradores organizaram homenagens em cemitérios e espaços públicos. Muitos desses encontros evoluíram para atos de contestação ao regime. Diante disso, forças de segurança intensificaram a presença nos locais e impediram reuniões consideradas não autorizadas.

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Irã tenta ‘enquadrar’ homenagens

Paralelamente à repressão, o governo lançou cerimônias oficiais sob supervisão estatal. Mesquitas e centros religiosos receberam eventos organizados por autoridades. Discursos buscaram enquadrar as mortes dentro da narrativa do regime.

Analistas locais avaliam que a estratégia visa reduzir o impacto político das homenagens espontâneas. Ao assumir o protagonismo dos rituais, o Estado tenta controlar a memória coletiva sobre as vítimas e limitar a transformação do luto em mobilização.

Leia também: “Fã-clube-dos aiatolás é uma vergonha para Londres”, reportagem publicada na Edição 309 da Revista Oeste

Em diversas cidades, forças de segurança dispersaram grupos reunidos para orações e vigílias. Houve relatos de detenções e uso de força para impedir a ampliação dos encontros. Vídeos nas redes sociais mostram momentos de tensão em cemitérios e ruas próximas. Em algumas regiões, autoridades restringiram o acesso à internet durante os eventos. 

O ritual do 40º dia possui profundo significado religioso no islamismo xiita. Tradicionalmente, representa momento de recolhimento espiritual e reafirmação de laços comunitários. Neste contexto, porém, ganhou dimensão política.

Desde o fim de 2025, protestos de grande escala desafiam o regime iraniano. O número de mortos e presos é elevado, segundo organizações internacionais. As cerimônias de luto tornaram-se símbolo de resistência civil. A repressão a esses rituais evidencia a disputa pela narrativa pública. De um lado, famílias buscam preservar a memória dos mortos. De outro, o Estado tenta evitar que o luto coletivo alimente novas mobilizações contra o governo.

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1 comentário
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Irã é o B05til piorado a enésima potência! Imagine o que o consórcio PT / velha e carcomida imprensa tradicional estatizada / stf iria fazer se o país todo fosse prestar solidariedade aos presos políticos de 08/01.

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