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Hospital penaliza enfermeiras por desconforto com transgêneros em vestiário

A defesa da instituição, que é gerida pelo sistema público de saúde, descredibilizou os protestos das mulheres

Inglaterra: hospital penaliza enfermeiras por contestarem acesso de transgêneros ao vestiário
Um grupo de enfermeiras do Hospital Memorial de Darlington processou os chefes em um tribunal trabalhista | Foto: Reprodução/BBC

Oito enfermeiras no Hospital Memorial de Darlington, na Inglaterra, contestaram a política que permite que o vestiário de uso exclusivo feminino seja usado por transgêneros. O advogado das mulheres afirmou que elas sofreram discriminação indireta, assédio e retaliação devido à política de “Transição no Local de Trabalho” do hospital, que é gerido pela Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS).

O hospital afirmou que as enfermeiras “demonizaram” Rose Henderson, um homem biológico que se identifica como mulher, e que a política adotada estava de acordo com as orientações e leis vigentes à época. Depois da audiência, as enfermeiras disseram à emissora britânica BBC que tudo havia sido “muito estressante”, mas que continuaram trabalhando porque “os pacientes são o mais importante”.

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O tribunal de Newcastle ouviu que Rose, que atua como técnica em centro cirúrgico, usava o vestiário desde 2019, antes de surgirem as primeiras queixas de enfermeiras da unidade de cirurgia ambulatorial, em agosto de 2023. A política do hospital permitia que a pessoa usasse o espaço de acordo com sua identidade de gênero, e quem se sentisse desconfortável poderia trocar-se em outro local.

Inglaterra: hospital penaliza enfermeiras por contestarem acesso de transgêneros ao vestiário
Rose Henderson, homem biológico que se identifica como mulher; várias enfermeiras relataram desconforto com olhares de Rose enquanto trocavam de roupa | Foto: Reprodução/BBC

Cerca de 26 enfermeiras assinaram uma carta reclamando do uso e da conduta de Rose no vestiário — a mulher trans disse ao tribunal que as acusações, incluindo “encarar mulheres enquanto se despia”, eram “falsas”. O advogado Niazi Fetto, que representa as enfermeiras, afirmou que a política de inclusão foi tratada pelos gestores como algo “sagrado” e que ela “impunha tratamento desvantajoso às mulheres biológicas”.

Segundo Fetto, as reclamações sobre os efeitos nocivos da medida foram rejeitadas e ignoradas, e as enfermeiras foram penalizadas e silenciadas em um “processo de investigação opressivo e ineficaz” conduzido pelo hospital. Ele afirmou que a política de inclusão concedia acesso a espaços de um único sexo “baseando-se apenas na identidade de gênero autodeclarada” e que não houve consulta prévia aos funcionários.

O hospital, destacou o advogado, priorizou o direito das pessoas trans em detrimento do direito das mulheres de não precisarem se trocar diante de uma pessoa do sexo oposto.

A instituição pública da Inglaterra chegou a transformar uma sala de armazenamento em vestiário alternativo para as mulheres que não quisessem dividir o espaço com Rose, mas o advogado disse que era “totalmente inadequado e inseguro”. Ele acrescentou não haver “direito legal” que garanta a uma pessoa com “característica protegida de redesignação de gênero” o uso de vestiários correspondentes ao gênero adotado.

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Fetto também afirmou que as palavras “homens” e “mulheres”, conforme definidas na legislação, se referem ao sexo biológico, conforme confirmado pela Suprema Corte do Reino Unido no início do ano. Ele disse que várias mulheres haviam reclamado da conduta de Rose no vestiário e que era “inacreditável” supor que todas estivessem “enganadas ou mentindo”, havendo alto nível de corroboração entre fontes diversas.

A resposta da instituição “determinadamente não abordou a essência” das queixas, ao mesmo tempo em que “trivializou e estigmatizou aquelas que as apresentaram”, concluiu o jurista.

Defesa do hospital acusa mulheres de preconceito contra transgêneros

O advogado Simon Cheetham, representante do hospital, afirmou que o “problema central” das enfermeiras era o uso do vestiário por Rose, o que as levou a “interpretar tudo o que Rose ou o hospital faziam de forma negativa”. Ele disse que as mulheres “ficaram obcecadas com essa questão, o que turvou seu julgamento” e acrescentou que a simples presença do homem biológico era “vista como provocativa”.

Ele criticou ainda as enfermeiras por falarem à imprensa. O advogado do hospitou acusou as mulheres de fazerem alegações repetidas sem “provas consistentes”, expondo detalhes da vida privada de Rose e retratando-a publicamente como uma “figura altamente predatória”.

Cheetham afirmou que o tratamento dado pelas enfermeiras a Rose foi “cruel e injustificado”, com acusações “exageradas”. Disse ainda que elas “demonizaram desnecessariamente” o homem biológico e travavam uma “campanha pública” contra a política e contra o “tratamento dado a elas como grupo de mulheres”.

Segundo ele, os funcionários só podiam usar espaços de um único sexo se “vivessem integralmente naquele gênero”, o que representava “um padrão mais alto” do que as enfermeiras alegavam, e que a política “estava de acordo com a legislação e as orientações vigentes”.

O advogado afirmou que o hospital, com cerca de 8 mil funcionários, precisava equilibrar os “direitos concorrentes” das pessoas com as “características protegidas” de sexo biológico e redesignação de gênero. Disse ainda que, na época, havia “várias orientações conflitantes” sobre o tema.

Enfermeira encoraja população da Inglaterra a protestar

A decisão do tribunal da Inglaterra será anunciada em data ainda não definida, mas não deve sair antes do Natal. Depois da audiência, as enfermeiras Lisa Lockey, Bethany Hutchison e Karen Danson disseram que o processo foi “muito estressante” e “esgotante”, mas esperam que a decisão seja favorável.

Inglaterra hospital Inglaterra trans
As enfermeiras Lisa Lockey, Bethany Hutchison e Karen Danson | Foto: Reprodução/BBC

Lisa afirmou que as enfermeiras se sentiram “totalmente isoladas” desde que apresentaram a queixa e que a política do hospital “parecia completamente irrazoável”. Disse ainda ser “frustrante” aguardar por uma orientação nacional. “Estamos meio que em um limbo.”

Ela contou à BBC que todas continuaram trabalhando, embora às vezes fosse “desconfortável”, sem saber quem as apoiava, mas precisavam “manter uma postura profissional” e fazer seu trabalho. “As enfermeiras estão ali para ajudar os pacientes — e eles são o mais importante.”

Bethany afirmou esperar que mais pessoas se levantem contra a ideologia por trás da política de inclusão. “É hora de as pessoas erguerem a cabeça e se manifestarem contra isso.”

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2 comentários
  1. Christian
    Christian

    As mulheres insistiram muito e agora não aparece uma feminista para apoiá-las….

  2. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    A aberração Woke, segue em jogos olímpicos, competições femininas, lutas e colégios pelo mundo.

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