Um policial na Inglaterra abordou o pastor Mick Fleming, de 59 anos, para advertir quanto ao risco de um verso bíblico exibido na traseira da van do religioso ser interpretado como “discurso de ódio”. Segundo Fleming, a advertência ocorreu em 27 de outubro, em um posto de gasolina em Burnley, quando o agente o alertou sobre possíveis denúncias.
O trecho da Bíblia ao qual o policial se referiu é a famosa passagem de João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Além de meio de transporte, a van serve de moradia ao pastor, que se desfez de seus bens para liderar uma igreja e promover um trabalho contínuo de caridade.
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“Um conselho: a escrita poderia ser vista como discurso de ódio em um contexto errado. Estou apenas avisando”, disse o policial, conforme o relato do pastor. Fleming acrescentou que não houve ameaça de prisão, apenas um alerta sobre possíveis investigações caso alguém fizesse uma denúncia.
Reino Unido 🇬🇧: Um pastor afirmou que um policial o advertiu de que versículos bíblicos na traseira de sua van poderiam ser considerados "discurso de ódio".
— Ivan Kleber (@lordivan22) November 8, 2025
A polícia de Lancashire afirmou não ter registro da interação. Um porta-voz disse: "Não consideramos isso discurso de ódio… pic.twitter.com/sY1kITs4Cn
O pastor afirmou ter ficado surpreso com a situação. “Para onde estamos indo como país em que um pouco da Escritura cristã na traseira de uma van pode ser vista como algo odioso ou maldoso?”, questionou em vídeo publicado no YouTube. “Talvez a sociedade esteja caminhando para um lugar onde não querem pessoas de fé sentadas à mesa para discutir… Para mim, é uma mensagem fundamental de como a verdadeira mudança é possível.”
Depois do episódio, Fleming garantiu que não pretende remover o verso, pois considera a mensagem positiva. Apesar de a liberdade de exibição de versos religiosos ser prevista em lei no Reino Unido, o gesto pode ser alvo de investigação se for considerado “ameaçador” ou com teor de “incitação ao ódio”, de acordo com o jornal Daily Mail.
Leis como a Public Order Act de 1986 e a Racial and Religious Hatred Act de 2006 visam a coibir tais condutas. Entretanto, grupos como o Christian Concern alegam que a polícia, em algumas situações, interpreta essas legislações de maneira equivocada.

“Ele foi um cara muito legal, não foi grosseiro nem nada, e disse: ‘Um conselho — a escrita pode ser vista como discurso de ódio no contexto errado. Só estou te avisando’”, relatou o pastor. “Ele não estava lá para me prender: foi apenas um aviso.”
Trajetória do pastor Fleming chamou atenção do príncipe William
Mick Fleming, que já teve envolvimento com o tráfico de drogas e chegou a ser acusado de assassinato, hoje lidera uma igreja independente — isto é, não vinculada à Igreja Anglicana — e a instituição Church on the Street, dedicada ao atendimento de pessoas vulneráveis em Burnley. O pastor, que já recebeu visita do príncipe e da princesa de Gales, lançou um livro neste ano, Walk In My Shoes, no qual narra sua transformação pessoal. O prefácio é assinado pelo príncipe William.
Ao Daily Mail, o pastor relatou ter crescido em uma família trabalhadora amorosa, mas tudo mudou quando ele foi atacado e estuprado por um desconhecido aos 11 anos, enquanto ia para a escola. A irmã dele, Ann, de 20 anos, morreu no dia seguinte, de um ataque cardíaco. Os dois acontecimentos levaram Fleming a mergulhar em uma vida de crime e abuso de substâncias.
‘It’s been a really painful journey, but I’m trying to help people find joy in the pain.’
— GB News (@GBNEWS) April 4, 2025
Pastor and Former Gangster Mick Fleming on his efforts to change the lives of homeless people and addicts, and Prince William’s response to his work.
📺 Freeview 236, Sky 512, Virgin 604 pic.twitter.com/WyrMwp2a1S
Mick Fleming estava limpo havia cerca de um ano quando encontrou seu agressor 30 anos depois, em uma unidade do McDonald’s. O pastor afirma que “planejou matá-lo”, mas ouviu uma voz que questionava por que ele estava vivendo no pecado. Desde então, estudou teologia na Universidade de Manchester antes de se tornar pastor e fundar a Church on the Street.
O príncipe e a princesa de Gales, então duque e duquesa de Cambridge, conheceram Mick em 2022, quando visitaram a instituição de caridade, criada em 2019 para ajudar pessoas sem-teto ou que vivem em em situação de pobreza em Burnley e arredores. “Eles são gente boa. Me ajudaram muito a trazer equipes de saúde mental para a igreja e fizeram isso acontecer”, diz o pastor sobre William e Kate. “Eles são adoráveis. Eu pude orar por ambos. Não tenho nada além de respeito por eles.”
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Que barbaridade…
O cocho vai virar e porcos vão correr… é só esperar !