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Guerra atual contra o Irã supera a ofensiva anterior

EUA e Israel ampliaram o alcance dos bombardeios ao país, que também buscou atingir novos alvos, em relação ao conflito de junho de 2025

Caça Israelense ataque Irã
Caça Israelense se prepara para nova missão no Irã | Foto: Reprodução/IDF

A principal diferença entre a guerra atual no Irã e a ofensiva de junho do ano passado está na escala e no alcance das operações. Israel e Estados Unidos (EUA) ampliaram a área atingida, enquanto o regime iraniano expandiu sua resposta para além do território israelense, mirando países vizinhos e bases norte-americanas na região.

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Outra diferença é que, no conflito anterior, os EUA só entraram no penúltimo dia, ao bombardearem três instalações nucleares iranianas. Israel já vinha realizando bombardeios, por meio dos caças F-15, F-16 e F-35, desde o dia 12 de junho. Desta vez, a ação com Israel foi, desde o início, realizada em conjunto.

Dados do Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), divulgados ao The Jerusalem Post, indicam esta mudança no padrão das operações. Na fase inicial do conflito anterior, parte do território iraniano permaneceu fora do alcance dos ataques.

No cenário atual, essas áreas passaram a integrar o teatro das ações militares, incluindo províncias estratégicas do sul e do oeste do país. São os casos de Hormozgan, Sistão e Baluchistão e Khuzistão.

Hormozgan (estratégica, costeira, logística, petrolífera) e Khuzistão (petrolífera, industrial, estratégica, multiétnica) concentram infraestrutura energética e rotas vitais do país.

Sistão e Baluchistão reúne perfil periférico, fronteiriço e instável. Tem histórico de insurgência e tensões de segurança.

A resposta de Teerã também mudou. Em junho, os ataques se concentraram em Israel. Agora, o regime passou a atingir alvos regionais e instalações norte-americanas, ampliando o risco de envolvimento mais amplo no conflito.

Além de Israel, o Bahrein recebeu ataque com mísseis contra base naval dos EUA no país. Já o Catar, que abriga líderes do Hamas, em parte sustentado pelo Irã, interceptou mísseis iranianos sobre seu território.

Nos Emirados Árabes Unidos, houve explosões em Abu Dhabi e drone em Dubai, vindo do Irã. Na Jordânia, sirenes e alerta aéreo com projéteis cruzando o espaço aéreo. E o Kuwait sofreu ataque com drone ao aeroporto internacional.

Segundo a diretora do ACLED, Clionadh Raleigh, o Irã tenta elevar o custo da guerra com ações contra áreas turísticas, comunidades estrangeiras e bases dos EUA. Ela afirma que há sinais de instabilidade interna, com enfraquecimento da cadeia de comando e risco de rápida escalada.

“O caos interno no Irã é provável à medida que camadas de sucessão são removidas e a cadeia de comando se fragmenta.”

A avaliação é que a estratégia adotada por EUA e Israel vai além da dissuasão e busca pressionar a estrutura do regime, com impacto potencial sobre a população civil e sobre o equilíbrio regional.

A ampliação das hostilidades também reflete limitações operacionais iranianas. O pesquisador Menahem Merhavy, da The Hebrew University of Jerusalem, considera que o regime teme não dispor de recursos suficientes para sustentar um confronto prolongado.

Segundo ele, os ataques a países vizinhos buscam pressionar os EUA a interromper as operações. A estratégia envolve risco, pois pode provocar reação externa ou estimular contestação interna.

“Eles estão fazendo uma aposta muito grande, porque, em algum momento, seus vizinhos podem se voltar contra eles novamente”, destaca ele. “É um risco enorme, e estão assumindo esse risco exatamente por desespero.”

Analistas consideram improvável uma mudança estrutural do sistema político iraniano. O cenário mais provável envolve rearranjos dentro do próprio regime.

EUA e Israel reduziram capacidade do Irã

No regime iraniano, Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, ganhou relevância depois da morte do líder supremo Ali Khamenei. Larijani sobreviveu aos ataques. A proposta de um conselho provisório busca administrar o período de transição e evitar vulnerabilidades institucionais.

Especialistas avaliam que a ausência prolongada de uma liderança consolidada aumenta o risco de instabilidade política e mobilização social.

Leia mais: “Trump: ofensiva contra o Irã vai continuar ‘até que todos os objetivos sejam alcançados'”

Estimativas do ACLED indicam que cerca de 10% da população apoia firmemente o regime. A maioria integra uma oposição dispersa, marcada por descontentamento econômico e críticas à repressão estatal.

O esforço de guerra reduziu a capacidade das forças de segurança de conter protestos, enquanto restrições à internet limitam a circulação de informações independentes sobre ataques e danos civis.

Raleigh vê risco de disputas locais, deserções e episódios de violência interna caso o controle central continue a enfraquecer.

A possibilidade de o príncipe exilado Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, assumir o poder é considerada remota por analistas. A hipótese mais provável envolve a ascensão de uma liderança interna menos confltuosa, mas ainda vinculada à estrutura existente.

Para Merhavy, o conflito pode terminar com algum tipo de acordo, possivelmente com concessões iranianas em áreas estratégicas como o programa nuclear. Segundo ele, a preservação do poder tende a orientar as decisões do regime. Ele não consegue prever uma mudança imediata de governo. Para ele, porém, o sistema político iraniano enfrenta desgaste crescente.

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  1. IVAN SEVERO DA SILVA
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