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França reconhece oficialmente o Estado da Palestina

Macron se une a Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal

Emmanuel Macron discursa na Assembleia-Geral da ONU | Foto: Loey Felipe/UN Photo
Emmanuel Macron discursa na Assembleia-Geral da ONU | Foto: Loey Felipe/UN Photo

Na noite desta segunda-feira, 22, a França anunciou oficialmente o reconhecimento do Estado da Palestina. O presidente Emmanuel Macron fez o pronunciamento durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em um discurso de mais de 40 minutos.

O anúncio foi acompanhado de reconhecimentos semelhantes por parte de outros países, como Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal. No total, mais de dez novos Estados aderiram à decisão nos dois dias anteriores à fala de Macron. “Hoje, 142 Estados propõem essa paz, uma mão estendida pronta a ser apertada”, afirmou o presidente francês, ao defender a retomada da solução de dois Estados como caminho único para a estabilidade no Oriente Médio.

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Em sua fala, Macron lembrou os ataques de 7 de outubro de 2023 em Israel, nos quais mais de mil pessoas foram mortas e cerca de 250 foram sequestradas pelo Hamas. “Condenamos sem nenhuma nuance, pois nada pode justificar o recurso ao terrorismo”, disse.

O mandatário anunciou que a França poderá instalar uma embaixada oficial junto ao Estado palestino, desde que todos os reféns em Gaza sejam libertados e um cessar-fogo duradouro seja firmado. Ele detalhou também um plano de paz em parceria com a Arábia Saudita que prevê uma administração de transição em Gaza com participação da Autoridade Palestina e apoio internacional para o desarmamento do Hamas.

Manifestação pro-Palestina em Copenhague, na Dinamarca | Foto: Danish Times
Manifestação pro-Palestina em Copenhague, na Dinamarca | Foto: Danish Times

“Esta decisão é também uma derrota para o Hamas e para todos aqueles que querem a destruição do Estado de Israel”, declarou Macron, que insistiu que a segurança israelense “não é negociável” e que a França continuará a cobrar compromissos para a paz.

O plano anunciado por Macron prevê três etapas: cessar-fogo imediato e libertação de reféns; estabilização de Gaza com uma autoridade palestina renovada e apoiada internacionalmente; e negociações para um acordo definitivo que inclua segurança de Israel e suas fronteiras. “Construir a paz é muito mais difícil do que qualquer guerra, mas o tempo chegou”, encerrou o presidente francês.

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Reação palestina e israelense

A decisão foi celebrada pela Autoridade Palestina. Mahmoud Abbas, presidente da entidade, participou por videoconferência da Assembleia da ONU, depois de ter o visto negado pelos Estados Unidos. Ele condenou explicitamente os ataques do Hamas em 2023 e pediu o desarmamento do grupo. “O Hamas não terá nenhum papel no governo, o Hamas e outras facções devem entregar suas armas à Autoridade Palestina”, afirmou.

Em Israel, a medida foi recebida com forte oposição. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou a decisão como “uma enorme recompensa ao terrorismo” e prometeu uma resposta. Segundo ele, “nenhum Estado palestino verá o dia”. Entre as medidas em análise estão a expansão das colônias na Cisjordânia, a expulsão de diplomatas franceses e até o fechamento do consulado da França em Jerusalém.

Pesquisas de opinião citadas pela imprensa local mostram que 80% da população israelense não acredita mais na paz com os palestinos depois dos ataques de 2023. Líderes da direita pressionam por planos de anexação de grande parte da Cisjordânia, com propostas que variam entre o controle de cerca de 80% do território ou a incorporação da estratégica região do Vale do Jordão.

Divisão na política francesa

Dentro da França, a decisão provocou divisões. Partidos de esquerda classificaram a medida como “um dia histórico”. O Partido Comunista pediu que a França vá além e pressione por sanções contra Israel. Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, chamou a decisão de “irreversível”.

À direita, as críticas foram contundentes. O ministro do Interior e líder dos Republicanos, Bruno Retailleau, afirmou que a decisão “oferece uma vitória ao Hamas”. Xavier Bertrand, também republicano, disse que a medida não contribui para a paz. Marine Le Pen, do Reunião Nacional, classificou a decisão como “uma falta extremamente grave” e acusou Macron de reconhecer “o Hamastão”.

Leia também: “O tapa na cara francês”, coluna de Carlo Cauti publicada na Edição 210 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Logo a França, numa pindaíba daquelas e com grave caos social por conta dos criminosos imigrantes ilegais morando por lá.

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