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Ex-presidente do Banco do Brics comenta as oportunidades do Brasil com a guerra comercial entre os EUA e a China

Marcos Troyjo participou do programa Oeste Negócios nesta segunda-feira, 7

Plantação China Agro Brasil
Em comparação com 2024, quando foram registrados 1.272 pedidos, o total cresceu 56,4% | Foto: Divulgação/Ministério das Comunicações

Marcos Troyjo, economista e ex-presidente do Banco do Brics, comenta as oportunidades econômicas do Brasil com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Troyjo participou do programa Oeste Negócios nesta segunda-feira, 7.

O cenário entre Washington e Pequim tem repercutido como a “Guerra Fria 2.0”, sobretudo depois da política tarifária anunciada pela Casa Branca. Ou seja, ambas as nações estariam em uma guerra sem embates armados, mas com batalhas em outras frentes. Se no século passado os EUA conflitavam com a União Soviética na guerra armamentista e espacial, hoje a disputa com a China é pelo poderio comercial.

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Para mensurar o tamanho do cenário e explicar como o imbróglio pode gerar oportunidades de negócios para o maior país da América Latina, Troyjo citou uma análise do professor Raghuram Rajan. Ex-presidente do Banco Central da Índia, Rajan estudou o comércio bilateral entre os EUA e a União Soviética durante toda a Guerra Fria.

Os resultados mostraram que o ápice de negócios entre as partes foi de US$ 2 bilhões no ano de 1979. Nos dias atuais, a cifra comercial entre os Estados Unidos e a China é de US$ 2 bilhões por dia, somente no ramo de manufaturados.

Donald Trump durante o anúncio de novas tarifas para importações
Donald Trump durante o anúncio de novas tarifas para importações | Foto: Daniel Torok/Casa Branca

“Hoje esses fluxos estão tão adensados, que, se você tem uma inflexão mais importante, automaticamente alguém tem de aparecer para colocar de novo na tomada aquilo que foi ‘desplugado'”, afirmou Troyjo.

A estratégia de retaliação da China pode envolver o Brasil

Para Marcos Troyjo, a resposta da China às tarifas dos EUA envolve “bater firme” nos setores mais importantes para a economia norte-americana. Sobretudo, no agronegócio.

“Até 2019, o maior exportador de alimentos para a China chamava-se Estados Unidos da América”, disse o economista. “O Brasil ultrapassou os Estados Unidos em 2020 e depois os americanos não tomaram mais a liderança.”

A inflexão entre os países no setor do agro, portanto, seria uma oportunidade de o Brasil mostrar suas credenciais e fazer negócios com os chineses mais uma vez.

“Qual o único país do mundo que tem a capacidade de, tanto em termos de agilidade e escala de proporção, desempenhar um papel quase de substituto automático aquilo que os Estados Unidos vinham fornecendo?”, indagou Troyjo.

Para além do que ocorreu em 2020, o economista ainda diz que a China deve aumentar as compras no agronegócio brasileiro. A medida teria o objetivo de garantir a segurança alimentar do país, que hoje tem uma população de mais de 1,4 bilhão de pessoas.

Um outro cenário em que o Brasil aparece como alternativa é na alocação de recursos. Troyjo explicou que os impeditivos dos EUA e da Europa com a China abririam uma janela favorável para receber massivos investimentos do Oriente.

Leia mais: “EUA anunciam tarifas de 104% contra a China”

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