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Em menos de 6 dias, Irã prende, acusa e condena manifestante à morte

População tomou as ruas em protestos contra a ditadura teocrática

Aos 26 anos, Erfan Soltani foi condenado à morte no Irã | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Aos 26 anos, Erfan Soltani foi condenado à morte no Irã | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Erfan Soltani, de 26 anos, deve ser morto na próxima quarta-feira, 14, pelo governo do Irã. A prisão dele aconteceu na última quinta-feira, 8. Ele participava dos protestos contra as condições no país. A Iran Human Rights (IHR) relatou o caso nesta segunda-feira, 12. Trata-se de uma organização não governamental (ONG) dedicada à defesa dos direitos humanos no país.

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A ditadura iraniana classifica o rapaz como “mohareb”, jargão jurídico local para “inimigo de Deus”. Segundo Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do país, o termo se aplica a todos os manifestantes envolvidos na recente onda de protestos. A pena para eles pode ser a morte, conforme define a legislação do Irã. E a ordem é agilizar os processos.

“Todos os criminosos envolvidos nos recentes distúrbios são mohareb”, disse Movahedi-Azad. “Os processos devem ser conduzidos sem complacência, sem aplicação de clemência ou tolerância. As promotorias devem, com rigor e sem perda de tempo, emitir denúncias.”

Manifestações no Irã

A recente onda de protestos teve início nos últimos dias de 2025. A princípio, os manifestantes reclamavam do aumento do custo de vida. Conforme o movimento ganhou força, passou a exigir a queda do regime, que reagiu com repressão.

De acordo com a IHR, cerca de 10 mil manifestantes podem ter sido presos na recente onda de protestos no país. Além disso, estimativas mostram ser possível que a quantidade de mortos nas ruas tenha passado de 6 mil. Em meio a tais números, Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG, declarou que a comunidade internacional tem a obrigação de intervir.

“O massacre de manifestantes civis nos últimos dias pela República Islâmica remete aos crimes do regime na década de 1980, reconhecidos como crimes contra a humanidade”, disse Amiry-Moghaddam. “O risco de execuções em massa e extrajudiciais de manifestantes é extremamente sério. De acordo com a Responsabilidade de Proteger, a comunidade internacional tem o dever de proteger os manifestantes civis contra assassinatos em massa cometidos pela República Islâmica e sua Guarda Revolucionária Islâmica. Conclamamos as pessoas e a sociedade civil em países democráticos a lembrarem seus governos dessa responsabilidade.”

Ditadura Islâmica

O país se tornou uma República Islâmica em 1979, quando passou a ser comandado por um aiatolá, sacerdote muçulmano do alto clero. A palavra vem do árabe, e a tradução do título é literalmente “sinal de Deus”. Ele ocupa o cargo de líder supremo do Irã. Desde 1989, o posto pertence ao mesmo homem: Ali Khamenei. Trata-se do sucessor de Ruhollah Khomeini — o aiatolá que implantou a República Islâmica.

Sob o comando dos aiatolás, o Estado iraniano passou de uma monarquia laica para uma ditadura religiosa. Homens e mulheres não são mais iguais perante a lei. Homossexuais são punidos com a pena de morte. Cristãos e judeus não têm os mesmos direitos que os muçulmanos.

Leia também: “À beira do abismo”, reportagem de Miriam Sanger publicada na Edição 304 da Revista Oeste

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2 comentários
  1. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    Irã copiando Alexandre Master de Moraes Vorcaro: assassinato Lá, ASSASSINATO CÁ.

  2. Vicente Pinheiro
    Vicente Pinheiro

    Não tenho a menor dúvida que é esse tipo de coisa que o PT prepara para nós.

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