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Conclave é um dos rituais mais emblemáticos do catolicismo; entenda

Processo de escolha de novo papa é repleto de curiosidades e deve monopolizar a atenção de religiosos por todo o mundo

Cardeais durante o conclave de 2013 que resultou na escolha do papa Francisco | Foto: Vaticano/Divulgação
Cardeais durante o conclave de 2013, que resultou na escolha do papa Francisco | Foto: Vaticano/Divulgação

Maior vertente do cristianismo, cuja religião reúne mais de 2,4 bilhões de seguidores por todo o mundo, a Igreja Católica tem no conclave um dos seus rituais mais emblemáticos. Trata-se de um dos momentos mais misteriosos do processo que escolhe o novo papa que vai ocupar o posto de chefe do Vaticano.

O termo conclave deriva do latim cum clave, que significa “com chave”. A palavra converge principalmente com uma dinâmica prática da eleição. Afinal, os cardeais habilitados a participar da eleição permanecem literalmente trancados na Capela Sistina até que a decisão saia sem qualquer interferência externa. 

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Conclave: duração imprevisível

O período do conclave tem duração imprevisível. Pode variar conforme uma série de fatores. Os cardeais estão restritos a contatos pessoais e à leitura litúrgica. Não há televisão, internet ou outra fonte de informação externa.

De acordo com o Vaticano, o conclave mais longo da história se deu entre os anos de 1268 e 1271. Foram quase três anos para finalizar o processo que elegeu o papa Gregório X. Naquele momento, registrava-se uma grande divisão política entre cardeais franceses e italianos. Abaixo, um trecho do filme Conclave, que concorreu ao Oscar de 2025.

O impasse não permitia que se chegasse aos dois terços necessários de votos para a decretação do novo pontífice. Diante da lentidão, a Cúria, que é a estrutura administrativa da Igreja Católica, decidiu trancar os cardeais no Palácio Episcopal de Viterbo. Como forma de acelerar a decisão por meio do desconforto, os governantes racionaram comida e removeram o teto do edifício.

Impasse gerou regras modernas

Foi essa medida drástica que resultou na formulação das regras modernas do conclave. Mesmo com as mudanças, o catolicismo veria ainda mais dois longos conclaves, ambos com duração superior a um par de anos. Foram os processos envolvendo as eleições do papa João XXII (em 1316) e do papa Martinho V (em 1417). 

A história, no entanto, coleciona também momentos de celeridade. Em 1503, houve dois conclaves. O primeiro, depois da morte do papa Alexandre VI, durou apenas 10 dias. Ele elegeu o Papa Pio III, que morreu 26 dias depois de eleito. Veio então o segundo conclave em que foi necessário apenas um dia para eleger o papa Júlio II. 

Nos episódios mais recentes, em que o Vaticano escolheu os três últimos papas, o retrospecto mostra um processo menos burocrático. A escolha do papa João Paulo II (1978) demandou três dias, enquanto as de Bento XVI (2005) e de Francisco (2013) consumiram dois dias.

Além da liturgia relacionada ao escrutínio, o conclave tem como um dos seus símbolos máximos o uso da fumaça. Branca, quando os cardeais chegam a um consenso; preta quando o impasse permanece. Essa tradição teve origem em 1878, precedendo o uso do badalar de sinos como forma de comunicação com os fiéis. 

O conclave que se dará dias depois do funeral do papa Francisco já monopoliza a atenção mundial e abre espaço para diversas divergências entre especialistas e religiosos. Há quem acredite numa eleição mais demorada em razão da pluralidade de nações representadas por cardeais. Outra corrente, no entanto, crê em um processo rápido cujo resultado deve apontar a ascensão de um cardeal italiano à cátedra (trono) de Pedro, o primeiro líder da Igreja Católica.

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