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China oculta dados e dificulta análise de sua economia, denuncia WSJ

Economistas que publicam análises independentes enfrentam represálias

O ditador da China, Xi Jinping | Foto: Reprodução/Twitter/X/@joshuamusaasiz3
O ditador da China, Xi Jinping | Foto: Reprodução/Twitter/X/@joshuamusaasiz3

O governo da China deixou de divulgar centenas de indicadores econômicos usados por investidores e pesquisadores, o que dificulta a compreensão sobre a real situação da segunda maior economia do mundo.

A denúncia foi feita pelo periódico norte-americano Wall Street Journal, que ressalta a omissão de estatísticas como vendas de terrenos, investimentos estrangeiros, taxa de desemprego, dados de cremações e até a produção de molho de soja.

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Sem explicações, autoridades chinesas retiraram de circulação informações essenciais em um momento de desaceleração econômica, crise imobiliária e fuga de investidores. “As autoridades chinesas pararam de publicar centenas de pontos de dados antes usados por pesquisadores e investidores”, afirma a reportagem.

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Diante da falta de transparência, economistas têm recorrido a fontes alternativas, como imagens de satélite, consumo de energia elétrica, bilheteria de cinemas e até postagens nas redes sociais.

Um deles contou ao WSJ que mede a atividade do setor de serviços por meio de “notícias sobre donos de academias e salões de beleza que fecham de repente e fogem com o dinheiro das mensalidades”.

A repressão a análises independentes também se intensificou. Em 2024, Gao Shanwen, economista da estatal SDIC Securities, afirmou em evento nos EUA que o crescimento da China “pode ter sido de cerca de 2%” nos últimos anos. “Não sabemos qual é o número verdadeiro”, disse. O resultado foi a sua punição e proibição de falar publicamente por tempo indeterminado.

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O dado oficial de crescimento do PIB em 2024, de 5%, coincidentemente bateu com a meta anunciada no ano anterior. Economistas ouvidos pelo jornal consideraram o número artificial. Uma análise do Goldman Sachs calculou crescimento de 3,7% no ano; outra, do Rhodium Group, estimou apenas 2,4%.

No mercado de trabalho, o índice oficial de desemprego entre jovens atingiu 21,3% em 2023, mas foi retirado de circulação logo depois de a economista Zhang Dandan, da Universidade de Pequim, estimar a taxa real em 46,5%. O dado reapareceu meses depois, com nova metodologia, que contabilizava 14,9% — número considerado irreal por analistas.

Indicadores imobiliários também desapareceram: um relatório de 2022 mostrou que a taxa de vacância habitacional nas maiores cidades chinesas era superior à de países desenvolvidos, mas o estudo foi retirado do ar depois de pressão do governo. Em seguida, desapareceram os dados oficiais sobre vendas de terrenos, que haviam despencado 48% no ano anterior.

china taiwan
O secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping (esq), e o presidente Lula (dir), durante visita do petista a Pequim – 14/04/2023 | Foto: Ricardo Stucker/PT

A opacidade se estendeu às bolsas. Depois de investidores estrangeiros retirarem mais de US$ 2 bilhões em duas semanas, as bolsas de Xangai e Shenzhen pararam de divulgar os fluxos de capital em tempo real. A justificativa foi o alinhamento com padrões internacionais.

Em muitos casos, a retirada dos dados ocorre em temas considerados sensíveis para o Partido Comunista, como mortalidade na pandemia, queda na natalidade e endividamento de governos locais. Alguns dados curiosos também sumiram, como os referentes ao número de banheiros escolares e à produção de molho de soja.

Com o acesso a dados cada vez mais restrito, economistas têm feito viagens à China continental para coletar informações diretamente nos registros públicos. Um economista de um banco estrangeiro em Hong Kong disse ao jonal que passou a fazer viagens regulares de fim de semana à cidade vizinha de Shenzhen para baixar dados, por exemplo.

Leia também: “Moscou é uma festa”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 250 da Revista Oeste

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2 comentários
  1. Christian
    Christian

    Peefiro dormir num quarto com10 jararacas do que com um Chinês do PCC.

  2. Serafim Dos A. Castro Neto
    Serafim Dos A. Castro Neto

    Bem, se estão escondendo é pq aí tem. Os dados são péssimos. Se fossem bons e favoráveis eles os divulgariam. Num regime de partido único como tentam fazer no Brasil não dá para esperar nada mais q um sistema opaco. Nem um dado ou informação q vem do governo é confiável.

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