publicidade
Mundo

Cartéis transformam a América Latina em epicentro do crime organizado

Avanço da cocaína e diversificação de atividades ilícitas ampliam violência em toda a região

Agentes da Polícia Federal apreendem helicóptero usado por traficantes em fronteira do Amazonas | Foto: Divulgação/Polícia Federal
Agentes da Polícia Federal apreendem helicóptero usado por traficantes na região amazônica | Foto: Divulgação/Polícia Federal

Ao longo do último século, os ticunas resistiram a invasores na Amazônia brasileira. Hoje, porém, o maior povo indígena local enfrenta um inimigo muito mais ameaçador: os cartéis do narcotráfico internacional.

A região do Alto Amazonas tornou-se rota estratégica principalmente para o escoamento de cocaína. Peru e Colômbia produzem a droga e a despacham para a Europa, onde o consumo disparou nas últimas duas décadas.

Receba nossas atualizações

“Imagine comprar diretamente dos produtores por US$ 300 o quilo e revendê-lo por € 60 mil na Europa”, diz o major Jonatas Soares, da Polícia Militar do Amazonas, em entrevista ao jornal inglês Financial Times. “Isso muda a vida de quem tenta a sorte trazendo a droga.”

Moradores locais fazem o carregamento de pequenas cargas. Volumes maiores, por sua vez, contam com o uso de submarinos que circulam pelas vertentes do Amazonas.

Cartéis promovem a expansão global da cocaína

Segundo a Organização das Nações Unidas, produção, consumo e apreensões de cocaína atingiram recordes em 2023, com 3,7 mil toneladas produzidas — alta de 34% em relação a 2022. A Colômbia, maior produtora mundial, registrou salto de 53% na oferta em apenas um ano. O mercado europeu já superou assim o dos Estados Unidos. Os cartéis, agora, ampliam a sua atuação no Oriente Médio, bem como em países na Ásia.

O impacto é devastador, diz a reportagem. A violência antes restrita a países produtores se espalhou por toda a América Latina. Atinge até nações consideradas refúgios, como Costa Rica e Uruguai. “O crime organizado se tornou a principal ameaça à estabilidade institucional de nossas nações”, diz a ex-presidente costa-riquenha Laura Chinchilla.

Especialistas apontam que os cartéis evoluíram, sobretudo, para a condição de conglomerados multifacetados. Além da cocaína, exploram ouro ilegal, tráfico de pessoas, contrabando e armas. “Eles não são mais apenas organizações de drogas. Movem qualquer coisa que passe por seu território”, explica Douglas Farah, da IBI Consultants.

O resultado é um poder econômico comparável ao produto interno bruto (PIB) de países inteiros, mas sem as obrigações de um Estado. Em 2022, os custos diretos da violência e do crime representaram 3,4% do PIB regional, quase 80% do orçamento total da educação.

+ Leia mais notícias de Mundo na Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.