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Boeing ignorou dúvidas da Ethiopian Airlines meses antes de acidente fatal

O caso foi a segunda pane com mortes do 737 Max nos últimos seis anos

Boeing 737 Max da Ethiopian Airlines fotografado em Israel | Foto: Wikimedia Commons/LLBG Spotter
Boeing 737 Max da Ethiopian Airlines fotografado em Israel | Foto: Wikimedia Commons/LLBG Spotter

Documentos publicados pelo jornal The New York Times, nesta quarta-feira, 9, revelam que a Boeing ignorou questionamentos de pilotos da Ethiopian Airlines sobre o sistema de controle de voo do modelo 737 Max, meses antes do acidente que matou 157 pessoas em 2019.

Em outubro de 2018, o chefe de pilotos da companhia pediu com urgência mais detalhes à Boeing sobre os procedimentos de emergência relacionados ao sistema Maneuvering Characteristics Augmentation System (MCAS), provável causa da queda de um avião da Lion Air na Indonésia, que havia ocorrido semanas antes.

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O pedido de mais informações surgiu diante da preocupação de que o problema se repetisse, já que a Ethiopian também operava o mesmo modelo. Apesar do alerta, a Boeing se limitou a responder com um documento público já divulgado e disse estar encarregada do suporte às autoridades indonésias na investigação do acidente anterior.

Três meses depois, em março de 2019, um avião da Ethiopian Airlines, também um 737 Max, caiu logo depois de decolar de Addis Ababa, capital da Etiópia. O acidente foi causado pelo mesmo sistema de controle de voo defeituoso.

Ambos os incidentes resultaram na paralisação mundial do modelo, que só voltou a operar em 2020, depois de passar por uma série de atualizações no software e em sistemas de segurança.

Especialistas em aviação sugerem que a falta de informações adicionais por parte da Boeing pode ter contribuído para o desfecho fatal. “É impossível saber o que os pilotos teriam feito com mais informações, mas não ter acesso a elas selou o destino do voo”, afirmou Dennis Tajer, porta-voz da Associação de Pilotos Aliados, que representa pilotos da American Airlines.

Em resposta às perguntas sobre o caso, a Boeing afirmou que “nunca esquecerá as vidas perdidas nesses voos” e destacou os “duros aprendizados” obtidos com os acidentes.

A empresa cooperou com todas as investigações relacionadas aos acidentes e está em contato com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para resolver questões criminais.

Familiares das vítimas pressionam para que a Boeing seja responsabilizada de forma mais rigorosa. Eles argumentam que a empresa poderia ter evitado a segunda tragédia se tivesse compartilhado as informações solicitadas pela Ethiopian Airlines, que buscava esclarecimentos críticos para a segurança de seus voos.

Manobra brusca com Boeing 787 deixou 50 feridos em março

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos exigiu inspeções de todos os modelos do avião 787 Dreamliner, da Boeing, em agosto deste ano.

O órgão investiga o mergulho repentino de uma destas aeronaves durante voo da Latam, em março, que deixou 50 pessoas feridas.

Na ocasião, o assento do piloto do 787 realizou um movimento não programado durante percurso entre a Austrália e a Nova Zelândia. Esse movimento acionou o interruptor que desliga o piloto automático, o que causou a perda súbita de altitude do avião.

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De acordo com o relatório preliminar da Latam, a aeronave perdeu 120 metros de altitude antes de o copiloto retomar o controle da navegação.

O órgão exigiu que os operadores inspecionassem os assentos dos comandantes, em busca de tampas soltas e rachaduras que cubram o interruptor.

Além deste caso, a organização informou que recebeu outras quatro reclamações sobre movimentos não programados. Alguns dias depois do incidente, a Boeing já havia recomendado a inspeção das aeronaves por parte das companhias aéreas. O objetivo também seria encontrar irregularidades no cockpit dos comandantes.

Leia também: “Aviões movidos a mostarda”, artigo de Evaristo de Miranda publicado na Edição 234 da Revista Oeste

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