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Terremotos na Venezuela devastam a economia de La Guaira

Comércio fechou suas portas em função dos abalos que, segundo o governo, já deixaram mais de 4 mil mortos

Terremotos Venezuela La Guaira
Terremotos de magnitudes de 7,2 e de 7,5 na escala Richter | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

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O terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho devastou La Guaira, resultando em 4.333 mortes, 16.740 feridos e quase 18 mil desabrigados. A economia local, que depende do turismo e do comércio, foi severamente afetada, com comerciantes e trabalhadores enfrentando a perda de renda e a incerteza sobre o futuro. Estima-se que os danos materiais cheguem a US$ 37 bilhões.

Os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho não destruíram apenas prédios e moradias. Os abalos interromperam a principal fonte de sobrevivência de milhares de trabalhadores de La Guaira, Estado costeiro que depende fortemente do turismo, do comércio e dos pequenos negócios.

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O balanço oficial divulgado pelas autoridades revelou que 4.333 pessoas morreram, 16.740 ficaram feridas e quase 18 mil perderam suas casas. Mais de 86 mil famílias recebem assistência, enquanto equipes seguem trabalhando na remoção de escombros e na recuperação de corpos.

Mas, para muitos moradores, a emergência continua mesmo depois da fase mais intensa dos resgates. Sem turistas nas praias e com empresas destruídas, a pergunta central passou a ser como reconstruir a própria vida, segundo o El Nacional.

Faisuris Álvarez, vendedora de peixe frito, perdeu o movimento que sustentava sua família. Antes do desastre, a costa de La Guaira recebia moradores de Caracas, localizada a cerca de 40 minutos de carro, especialmente nos fins de semana.

A atividade turística mantinha uma rede de pequenos comerciantes, de vendedores de alimentos a trabalhadores de quiosques. Agora, ela não sabe quando poderá voltar a trabalhar. “O que vou fazer? Onde vou trabalhar? O que vou conseguir?”

Na praia Escondida, dezenas de famílias que dependiam dos visitantes ficaram sem renda. Comerciantes que vendiam mariscos, frutas, doces e bebidas perderam seus clientes de um dia para o outro.

O impacto também atingiu empresas maiores. Luis Baena, dono do depósito de iluminação Bilight, afirma ter perdido o estoque durante saques ocorridos depois dos terremotos. Um incêndio posterior destruiu o restante da estrutura, encerrando anos de trabalho e colocando em risco a renda de cerca de 60 famílias ligadas ao negócio.

A empresa fazia parte da história da família Baena em La Guaira, onde seus parentes vivem há aproximadamente um século. Diante das ruínas do depósito, o empresário resumiu a situação: “É duro, é forte”.

Danos materiais causados pelos terremotos na Venezuela

Os danos materiais provocados pelos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter podem alcançar US$ 37 bilhões, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres. O economista Asdrúbal Oliveros afirma que catástrofes desse porte costumam provocar efeitos prolongados sobre empregos, consumo, transporte e cadeias de abastecimento.

Leia mais: “Terremotos: número de mortos na Venezuela sobe para mais de 4 mil”

Em meio à destruição, algumas atividades começam lentamente a retornar. Em Maiquetía, uma das áreas econômicas de La Guaira, pequenos comerciantes tentam reabrir as portas, embora o movimento ainda esteja distante do período anterior ao desastre.

A cabeleireira Anabel Delgado, de 56 anos, espera novos clientes enquanto tenta retomar a rotina. Para ela, a recuperação dependerá da persistência dos moradores que permaneceram na região.

O comerciante Enio Fernández também acredita em uma retomada gradual. Mas especialistas alertam que a reconstrução dependerá de recursos, capacidade de execução e confiança para estimular investimentos.

Enquanto isso, a região da Venezuela enfrenta um duplo desafio: reconstruir estruturas destruídas e recuperar uma economia que dependia da circulação de milhares de visitantes. Para muitos trabalhadores de La Guaira, o retorno dos turistas representa mais do que uma volta do lazer. É a possibilidade de recuperar a própria sobrevivência.

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