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A importância das Colinas do Golã para Israel

Professor Harel Chorev, da Universidade de Tel-Aviv, diz a Oeste que o país não vai abrir mão de sua presença ali por razões de segurança

Colinas do Golã Síria controle Israel
Parte alta das Colinas do Golã passou para o controle de Israel em 1967 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O impasse em relação ao controle das Colinas do Golã já não é empecilho para um acordo entre Israel e Síria. Esta é a visão do professor Harel Chorev, pesquisador do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel-Aviv, para quem a disputa territorial perdeu peso político tanto em Jerusalém quanto em Damasco. Ele diz que, dentro de Israel, a percepção mudou de forma definitiva.

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Na terça-feira 2, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exigiu da Síria o estabelecimento de uma “zona desmilitarizada” entre a fronteira com as Colinas do Golã e a capital, Damasco. Tal iniciativa síria, segundo ele, deve ser a base para qualquer acordo de paz com o novo governo no país.

Ele deu a declaração depois de visitar soldados feridos em incursão em território sírio na semana passada. Chorev considera que Netanyahu apenas retratou uma realidade que se consolidou ao longo de mais de cinco décadas.

“Eu diria que para 99% dos israelenses a questão do Golã não é mais uma questão”, afirmou Chorev a Oeste. “Todos nós, da esquerda à direita, entendemos, depois da guerra civil na Síria e tudo o que vimos, que não há chance de que Israel devolva Golã por qualquer coisa no mundo. Não se esqueça disso: isso nunca acontecerá. Israel não vai abrir mão de sua presença ali por razões de segurança, mas também por algo mais profundo, quase cultural.”

Segundo Chorev, essa convicção está enraizada na memória coletiva israelense.

“Os israelenses comuns creem que a Síria perdeu Golã por causa de sua agressividade contra Israel”, prossegue o professor.

“Até 1967, a área era usada para lançar ataques, bombardear assentamentos na Galileia e criar um clima permanente de ameaça. Portanto, aos olhos dos israelenses, o regime sírio perdeu a autoridade e o direito sobre esses territórios. E, desde então, já estamos falando de 60 anos, Golã é território israelense e continuará sendo.”

Essa transformação não ocorre apenas entre israelenses judeus. O pesquisador afirma que a própria comunidade drusa de Golã vive hoje outra realidade, contrastando com a postura das décadas anteriores.

“Mais e mais sírios reconhecem esse fato, inclusive os que permaneceram em Golã sob administração israelense, os drusos das Colinas do Golã”, acrescenta o especialista.

“Nos anos 1980, eles rejeitavam a cidadania israelense; hoje, a maioria aceita. Muitos servem no Exército, perderam a nacionalidade síria e nasceram sob o governo de Israel. Estão há 60 anos sob esse regime e receberam muito dele. Eles valorizam isso ainda mais quando veem o que acontece com seus irmãos na chamada Montanha dos Drusos.”

Chorev lembra que o próprio regime sírio contribuiu para afastar ainda mais tal população.

“Mesmo sob Bashar al-Assad, a aliança que existia no tempo de seu pai, Hafez, foi destruída”, lembra Chorev.

Hafez al-Assad governou a Síria entre 1971 e 2000. Assumiu o poder, na prática, em 1970, quando liderou um golpe interno no partido Baath, conhecido como Movimento Corretivo. Com articulações, provocou a queda do então líder Salah Jadid, que foi preso. Hafez morreu em 2000, de ataque cardíaco e seu filho Bashar assumiu o poder.

Deixou o cargo em dezembro de 2024, depois que milícias rebeldes tomaram o controle da capital. Durante o governo dele, a presença de inimigos de Israel se intensificou na região, segundo o professor.

“Bashar permitiu que Irã e Hezbollah controlassem a área drusa, pressionando a comunidade, tentando forçá-la a se tornar xiita. Foi terrível para eles. Eles sofreram nas mãos de um regime brutal — ao contrário dos drusos do Golã, que não passaram por isso.”

O pesquisador ressalta que o atual presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, vive dilema permanente entre pragmatismo e sobrevivência política.

“É um fato consumado: Al-Sharaa não faz da questão do Golã uma bandeira real”, destacou o professor israelense.

“Para ele, esse tema está morto. O que ele tenta, como disse antes, é navegar entre duas faces: mostrar pragmatismo para o mundo e, ao mesmo tempo, manter o apoio de sua base interna, que é formada por jihadistas e militantes radicais. E jihadistas não entendem pragmatismo. Eles acreditam na guerra contínua, na expansão territorial, em nunca interromper a jihad.”

Nesse ponto, Chorev amplia o raciocínio para outros grupos no Oriente Médio, ao dizer que não é possível analisá-los com lentes ocidentais.

Leia mais: “Guerra dos Seis Dias: conflito mais curto influenciou o embate mais longo de Israel”

“Isso se vê desde os escritos de Ayman al-Zawahiri, o braço direito de Osama bin Laden, até grupos como o Hamas”, ressaltou o professor, ao mencionar a própria instabilidade criada com a ascensão do Hamas.

“Quando o Hamas tomou Gaza, em 2007, muita gente acreditou que procuraria governar de forma estável. Mas, como vimos em 7 de outubro, eles nunca estiveram interessados em estabilidade — apenas em preparar a próxima fase de ocupação e jihad. É crucial entender isso. Não se pode analisar jihadistas como se fossem ocidentais.”

Israel e o Golã

O Golã é um planalto que domina as planícies ao sul e o norte de Israel. Enquanto esteve na totalidade sob controle sírio, foi usado para bombardear e observar o norte de Israel.

Essa realidade militar é a base do argumento de segurança israelense: ter o controle da parte alta significa prevenir fogo de artilharia e observação inimiga sobre cidades e infraestruturas vitais.

Leia mais: “A importância de Trump para a esquerda de Israel”

Durante a Guerra dos Seis Dias, entre 5 e 10 de junho de 1967, as Forças de Defesa de Israel (FDI) avançaram e passaram a controlar as posições sírias no planalto dessas colinas. Esta ofensiva ocorreu nos dias finais da guerra; depois de intensos combates.

O território que passou a ser controlado por Israel é de cerca de 1.150 a 2.200 quilômetros quadrados, situados no lado ocidental do planalto. A administração militar israelense passou a administrar a região. Em 1981, o Knesset (Parlamento) aprovou a chamada “Golan Heights Law”, que estendeu a legislação israelense ao território.

O ato foi considerado anexação pela comunidade internacional e declarado “nulo” pelo Conselho de Segurança da ONU na Resolução 497. Israel, no entanto, mantém essa decisão, considerada como uma forma de preservação de seu território contra ataques.

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3 comentários
  1. Jaques Mendel Rechter
    Jaques Mendel Rechter

    Aliás parabéns para a OESTE, seus jornalistas e comentaristas, estão no caminho certo, estão incomodando a esquerdalha que apoia a bandidagem e o terrorismo pois já começaram aparecer os ” leitores” MAV e de aluguel que se escondem em pseudônimos ridiculos para distorcer e ” cancelar” as materia tentando vender seus chavões, narrativas e slogans que só fazem sentido para sua propria bolha.

  2. Jaques Mendel Rechter
    Jaques Mendel Rechter

    Fanatismo é o seu argumento. Leia o texto e entenda o que foi descrito e o contexto, o que desmonta sua narrativa racista enviesada.

  3. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    Israel podia vir e tomar o Brasil, as pessoas ao serem expulsas das casas que vivem iriam agradecer, engraçado é que estes mesmos reclamam que a Russia invadiu a ucrania por isso a Ucrania tem o dever de revidar, mas quando israel invade algo eles dizem que ta tudo certo, tem de invadir mesmo pq é divida histórica, dica pra essas pessoas: isso se chama fanatismo!

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