Um editorial do jornal Gazeta do Povo afirma que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de autorizar busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo representa um ataque à liberdade de imprensa e ao sigilo da fonte. O texto foi publicado no domingo 15.
Segundo o jornal, a medida teria como objetivo descobrir quem repassou ao jornalista informações sobre o suposto uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pela família do ministro Flávio Dino.
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Em novembro do ano passado, o blog de Luís Pablo publicou que um veículo blindado do TJ do Maranhão estaria sendo usado pela mulher e pelo filho de Dino em deslocamentos em São Luís.
O carro, segundo a publicação, foi comprado com recursos de um fundo destinado à segurança institucional do Judiciário. O editorial afirma que a investigação transformou uma denúncia de interesse público em suspeita criminal.
“A publicação de imagens do veículo, com o número da placa — uma informação de indubitável interesse público — se tornou evidência de uma intenção maligna do jornalista”, diz o texto.
“Moraes pode estar testando a temperatura da água”, diz editorial

A decisão judicial autorizou a apreensão de celulares e computadores do jornalista. Para a Gazeta do Povo, a medida teria como objetivo identificar a origem das informações usadas na reportagem.
“Basta juntar os pontos: Moraes quer saber quem passou a Luís Pablo a informação de que a família de Dino estaria usando indevidamente o veículo oficial”, afirma o editorial. “Em bom português, o nome do que Moraes pretende fazer é violação do sigilo da fonte.”
O jornal também indaga a versão do STF de que a operação não teria relação com o inquérito das fake news. Segundo o editorial, a própria decisão de Moraes cita a redistribuição do caso por prevenção ao Inquérito n° 4.781, que trata das investigações sobre fake news.
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“É tudo tão aberrante que é impossível não questionar se Moraes não estaria testando a temperatura da água”, afirma o texto.
A seccional maranhense da OAB e entidades do setor de comunicação se manifestaram contra a decisão. Entre elas estão a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas, a Associação Nacional de Jornais e a Associação Internacional de Radiodifusão.
“O sigilo da fonte não é uma proteção apenas a jornalistas; é uma garantia para todos os cidadãos”, conclui o editorial.
Pra um ditador é assim ,as regras só vale prós outros