A Folha de S.Paulo publicou na noite desta quinta-feira, 27, um editorial em que contesta declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan. A fala do auxiliar de Fernand Haddad e de Lula da Silva ocorreu durante evento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), no início da semana.
No encontro, o auxiliar da equipe econômica afirmou principalmente que o governo obteve, em 2024, os melhores resultados fiscais em uma década. Acrescentou ainda que um superávit primário deve se confirmar em 2026, como reflexo de um “rigoroso ajuste em curso”.
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Lula da Silva e a falta da verdade
Segundo o jornal, as afirmações soariam positivas “se fossem verdade”. De acordo com a série histórica do Tesouro Nacional, que o jornal cita, a maior recuperação fiscal recente ocorreu sob o teto de gastos, aprovado em 2016, no governo de Michel Temer. Naquele período, houve melhora de mais de R$ 400 bilhões em valores anualizados. Desse modo, o superávit primário alcançou a cifra de R$ 130 bilhões, em julho de 2022.
Desde então, observa o texto, verificou-se deterioração de mais de R$ 160 bilhões nos resultados. O retrocesso começou na gestão de Jair Bolsonaro, em razão da pandemia. O ponto mais crítico, contudo, diz a Folha, projeta-se com a ampliação de despesas do governo petista.
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Considerando o resultado nominal, que inclui juros da dívida, o déficit passou de 4,4% para 7,7% do PIB — uma diferença aproximada de R$ 400 bilhões anuais. Para o jornal, o governo demonstra “negacionismo” ao adotar regras que abrem exceções sucessivas nas despesas computadas para o cumprimento das metas fiscais, sustentando projeções que não condizem com o quadro real.
O editorial afirma que o primeiro passo para enfrentar os desequilíbrios é reconhecê-los, o que, segundo a Folha, o governo evita fazer. O texto ressalta da mesma forma que o cenário futuro é preocupante, sobretudo com a proximidade do período eleitoral. Entre as medidas já contratadas, destacam-se a ampliação de gastos com isenções no Imposto de Renda (R$ 30 bilhões), novas regras para precatórios (R$ 13 bilhões), programas sociais como Pé-de-Meia (R$ 12 bilhões) e Gás do Povo (R$ 5 bilhões), além de crédito habitacional (R$ 40 bilhões) e despesas militares fora do limite fiscal (R$ 5 bilhões).
A Folha conclui que, em vez de conter a trajetória da dívida pública, o governo estuda novas despesas, como a gratuidade do transporte coletivo, o que reforçaria, segundo o jornal, o distanciamento da realidade fiscal.
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