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Gazeta expõe 'autocracia juristocrática' do STF no caso Tagliaferro

O editorial questiona como países normais reagiriam diante de alguém que denuncia práticas imorais ou ilegais, investigando as alegações e punindo os responsáveis

Eduardo Tagliaferro é ex-assessor no TSE | Foto: Reprodução/X
Eduardo Tagliaferro é ex-assessor no TSE | Foto: Reprodução/X

Em editorial publicado nesta segunda-feira, 25, o jornal Gazeta do Povo aborda a situação do ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro. O texto questiona como países normais reagiriam diante de alguém que denuncia práticas imorais ou ilegais, investigando as alegações e punindo os responsáveis. No Brasil, diz o editorial, ocorre o oposto: “Ignora o escândalo denunciado enquanto persegue aquele que decidiu contar o que sabe”.

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Em agosto de 2024, a Folha de S.Paulo publicou conversas obtidas pelo jornalista Glenn Greenwald entre Tagliaferro e juízes que assessoravam Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos mostravam um “canal informal” entre o TSE e o STF. As conversas revelavam que decisões já estariam previamente tomadas e que Tagliaferro deveria “usar sua criatividade” para buscar justificativas.

A segunda fase da “Vaza Toga” revelou uma força-tarefa informal que vasculhava perfis de investigados do 8 de janeiro em busca de mensagens críticas ao STF ou ao governo. Publicações eram reunidas em “certidões” que influenciavam prisão ou liberdade, sem acesso de advogados ou promotores. O editorial descreve uma “Justiça informal, paralela, que não respeita absolutamente nada nem ninguém”.

Moraes pediu à Itália a extradição de Tagliaferro

Em vez de investigar as denúncias, o Estado perseguiu Tagliaferro. A PGR denunciou o ex-assessor por violação de sigilo funcional e crimes como obstrução de investigação de organização criminosa. Moraes pediu à Itália a extradição de Tagliaferro. Segundo o editorial, a PGR considera que Tagliaferro “teve o nítido propósito de tentar colocar em dúvida a legitimidade e a lisura de importantes investigações” do STF. O jornal critica essa postura e afirma que, se as denúncias forem verdadeiras, “não deveria restar pedra sobre pedra de todas as investigações e os inquéritos conduzidos por Moraes”.

Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste

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