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Estadão critica plano de Lula para ampliar subsídio do gás sem fonte definida

Editorial alerta para impacto fiscal e vê medida como estratégia de campanha antecipada para 2026

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reage enquanto discursa no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil (22/4/2025) | Foto: Reuters/Adriano Machado
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reage enquanto discursa no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil (22/4/2025) | Foto: Reuters/Adriano Machado

Em editorial publicado neste domingo, 1º, o jornal O Estado de S.Paulo questiona a viabilidade fiscal da proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar a distribuição gratuita de botijões de gás de cozinha (GLP) a milhões de famílias brasileiras.

De acordo com o texto, técnicos do governo ainda não sabem de onde virão os recursos para bancar a promessa de que todos os beneficiários do Bolsa Família serão contemplados com o benefício até o fim do ano.

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Atualmente, cerca de 5,5 milhões de famílias recebem o subsídio. O governo planeja triplicar esse número para atingir 16 milhões de famílias, mas Lula anunciou uma meta ainda maior: incluir todos os 22 milhões de beneficiários do Bolsa Família. Segundo o editorial, isso ocorre “sem saber de onde tirar dinheiro”.

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O Estadão relaciona a proposta ao cenário de deterioração fiscal do país. Em 2024, o déficit nas contas públicas chegou a R$ 43 bilhões. A meta da equipe econômica para 2025 é limitar o rombo a R$ 31 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

O jornal observa que, enquanto busca conter o déficit com aumento de tributos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo simultaneamente amplia despesas com programas sociais.

“Lula continua a anunciar que o programa chegará, ainda neste ano, a 22 milhões de famílias”, destaca o editorial, que atribui à medida um viés eleitoral. O texto afirma que Lula estaria “mais preocupado em posar de distribuidor de benesses assistenciais” do que em apresentar políticas públicas estruturantes para o combate à desigualdade social.

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Anúncio de Lula pode abranger quase metade da população

Durante evento no Mato Grosso, em 24 de maio, o presidente afirmou que “todos os beneficiários inscritos no Cadastro Único não precisarão mais pagar pelo gás”. Segundo o editorial, isso corresponde a 40,8 milhões de famílias cadastradas — ou aproximadamente 93,7 milhões de brasileiros, cerca de 45% da população.

O Estadão explica que não há consenso no governo sobre a fonte de recursos para o novo programa, chamado “Gás para Todos”, previsto para ser lançado até setembro. O Ministério da Fazenda argumenta que ele seja incluído no Orçamento da União, enquanto o Ministério de Minas e Energia propõe o uso do Fundo Social do Pré-Sal.

O preço do botijão é elevado em todo o Brasil | Foto; Guito Moreto/Agência O Globo

O jornal também destaca o calendário político e sugere que a pressa do governo com a medida pode estar ligada à agenda de viagens de Lula pelo país. Segundo o presidente, seu objetivo é “combater a desinformação sobre seu governo”, mas o editorial classifica essa justificativa como uma “desculpa esfarrapada para fazer campanha eleitoral fora de hora”.

Por fim, o texto destaca que a ampliação de políticas sociais precisa estar vinculada a uma visão de longo prazo, com investimentos em áreas como educação, saúde e qualificação profissional. Sem isso, avalia o jornal, as medidas assistenciais correm o risco de “criar uma dependência exagerada da população ao governo”.

Quanto custa hoje o botijão de gás no Brasil

De acordo com dados da Petrobras, o preço médio do botijão de gás de cozinha no Brasil é de R$ 108,66, dado o período de coleta entre 18 e 24 de maio deste ano. A composição do valor final ao consumidor se distribui da seguinte forma:

  • Distribuição e revenda: R$ 55,85 (51,4%);
  • ICMS: R$ 18,07 (16,6%);
  • Parcela da Petrobras: R$ 34,74 (32,0%); e
  • Impostos federais: R$ 0,00 (0,0%).

Os dados foram elaborados com base nas informações da Agência Nacional do Petróleo, que afere os preços médios finais ao consumidor nos 26 Estados e no Distrito Federal. Apesar da ausência de impostos federais, mais da metade do valor pago é composto por margens de revenda e tributos estaduais.

Leia também: “O novo saque dos fundos de pensão”, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 232 da Revista Oeste

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