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Economia

Reservas internacionais do Brasil caem 7,1% em 2024, em meio à disparada do dólar

A queda está ligada principalmente à venda de dólares pelo Banco Central no final do ano

Dólar comercial encerrou o ano a R$ 6,18 | Foto: Shutterstock

O Brasil encerrou 2024 com US$ 329,7 bilhões em reservas internacionais, a “poupança” em moedas estrangeiras criada pelo governo para proteger a economia local contra crises externas. O montante representa uma queda de 7,1%, ou US$ 25,3 bilhões, em relação ao total do ano anterior, de US$ 355 bilhões.

A redução das reservas em 2024 está ligada principalmente à venda de dólares pelo Banco Central no final do ano. A autarquia injetou um total de US$ 20,07 bilhões no mercado à vista da moeda norte-americana. 

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Além disso, houve a venda de outros US$ 15 bilhões, por meio dos chamados leilões de linha. Eles são como operações de empréstimo, cujos valores retornam posteriormente às reservas cambiais. Essas operações aconteceram principalmente em dezembro, em meio à forte alta do dólar, que terminou 2024 com valorização de 27%, a R$ 6,18. 

A subida da moeda norte-americana ao longo do ano reflete uma combinação de fatores internos e externos. Conflitos internacionais, a redução dos juros nos Estados Unidos, a eleição de Donald Trump e a condução das contas públicas do Brasil influenciaram no câmbio. 

No final de 2024, o foco se voltou especialmente para a situação fiscal brasileira. O mercado financeiro expressou desconfiança quanto à eficácia do pacote de contenção de gastos anunciado pelo governo Lula em novembro.

Reservas internacionais do Brasil caem 7,1% em 2024, em meio à disparada do dólar
Variação das reservas internacionais do Brasil de janeiro de 2015 a novembro de 2024 | Foto: Reprodução/Banco Central

O que são reservas internacionais

Também chamadas de reservas cambiais, as reservas internacionais têm seus recursos aplicados no exterior, geralmente em ativos considerados seguros, como títulos do Tesouro dos EUA. A gestão da política cambial é delegada ao Banco Central. A autarquia ganhou autonomia legal para tomar decisões em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro

As reservas do Brasil são compostas por títulos, depósitos em moedas — dólar, euro, libra esterlina, iene, dólar canadense e dólar australiano — direitos especiais de saque junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), depósitos no Banco de Compensações Internacionais (BIS), ouro, entre outros ativos. 

“A alocação é feita de acordo com o tripé segurança, liquidez e rentabilidade, nessa ordem, sendo a política de investimentos definida pela Diretoria Colegiada do Banco Central”, diz a autarquia em seu site oficial.

Gabriel Galípolo é o novo presidente do Banco Central (BC) | Foto: Reprodução/Twitter/X
Gabriel Galípolo é o novo presidente do Banco Central (BC) | Foto: Reprodução/Twitter/X

A grande vantagem dessas reservas é a garantia contra crises no mercado internacional, como a de 1998 na Rússia, ou contra retiradas de recursos do país por investidores. 

No caso do Brasil, que adota o regime de câmbio flutuante, esse colchão de segurança ajuda a manter a funcionalidade do mercado de câmbio. Assim, o Banco Central consegue amenizar oscilações bruscas da moeda local ante o dólar, o que dá maior previsibilidade e segurança para os agentes do mercado.

O governo do Brasil tem três formas de acumular reservas. São elas a compra direta da moeda no mercado, o recebimento dos retornos de suas aplicações financeiras e a emissão de títulos da dívida pública no mercado internacional.

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