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Economia

'Papel do BC é técnico', diz economista, sobre críticas de Haddad

Sérgio Belém Teixeira afirma que a principal preocupação da autarquia é o cenário inflacionário e que uma política mais liberal poderia contribuir para diminuição dos juros

Fernando Haddad BC juros
Fernando Haddad criticou juros altos definidos pelo BC | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros em 15%, na quarta-feira 28, ocorreu mesmo em meio às críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que tem relacionado o aumento da dívida pública às altas taxas de juros.

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Para economistas como Sérgio Belém Teixeira, formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), porém, a direção da autarquia, responsável pelo controle da moeda e da inflação, não considera que, do ponto de vista técnico, existam condições para uma redução neste momento.

“O ministro Fernando Haddad diz que o responsável pela questão da dívida são os juros, mas o BC não tem de concordar ou discordar do ministro, porque a autarquia faz um trabalho técnico”, ressalta o economista a Oeste.

“O trabalho do BC tem sido conduzido dessa forma, principalmente depois da decisão que lhe deu autonomia plena”, observa Belém. “Isso significa que o principal ponto a ser perseguido pelo BC é estrutural e inflacionário. Trata-se de um problema inflacionário que o BC enfrenta de forma técnica, com o objetivo claro de acomodar a inflação.”

Belém ressalta que, de forma complementar, a crítica do ministro da Fazenda ao atribuir o problema da dívida brasileira aos juros elevados não deixa de ter algo correto.

“Naturalmente, ele tem razão, mas é uma resposta muito superficial”, afirma o economista. Segundo ele, mesmo com o argumento de Haddad de que houve redução da dívida, os níveis ainda são elevados e poderiam ameaçar as metas de inflação.

BC, juros e política liberal

De acordo com Belém, não está em pauta uma possível desconfiança do BC em relação à ausência de uma política liberal. Ele reitera que a principal preocupação é o cenário inflacionário, que, segundo sua avaliação como consultor, já apresenta sinais de arrefecimento.

“Parece-nos que a inflação está, sim, se acomodando, e que as condições macroeconômicas estão mais próximas para o BC iniciar os cortes de juros”, observa.

Leia mais: “Dívida pública cresce 18% em 2025 e chega a R$ 8.6 trilhões”

Ainda assim, independentemente de questões técnicas, ele não descarta que uma política mais liberal possa ser determinante para acelerar a queda dos juros.

“A grande questão não é se o BC se favoreceria ou exigiria isso, mas se seria beneficiado por uma política mais liberal”, ressalta Belém. “Se o governo fosse menos expansionista e intervencionista, um pouco mais liberal, isso criaria um cenário mais favorável para que, tecnicamente, o BC impulsionasse a queda dos juros neste ano.”

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