A continuidade da guerra com a Ucrânia está levando a Rússia a se aproximar do colapso econômico. Pressionado por autoridades financeiras locais, o presidente Vladimir Putin já ordenou cortes em várias áreas, para evitar diminuir o orçamento da Defesa. Nos bastidores do governo russo, a disputa ocorre entre a equipe econômica e os responsáveis pelo esforço militar. Técnicos do Ministério das Finanças e do Banco Central avaliam que o atual ritmo de despesas ameaça ampliar ainda mais o déficit público e comprometer a estabilidade das contas nacionais.
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A preocupação ganhou força depois de projeções indicarem a possibilidade de um rombo bilionário já no segundo semestre de 2026, segundo análise do Israel Hayom. Durante a elaboração do orçamento, autoridades identificaram uma possível insuficiência de recursos entre 1,2 trilhão de rublos (US$ 16,4 bilhões) e 1,5 trilhão de rublos (US$ 20,5 bilhões), valor que poderá ser absorvido principalmente pelas necessidades do setor de defesa. A situação se torna mais complexa porque o Ministério da Defesa russo não trabalha com a hipótese de redução de despesas. O contexto favorece tal postura. As negociações de paz estão paralisadas.
O governo russo dá mostras de que quer vencer a guerra por meio da pressão bélica, indiscriminada. Um ataque russo, de grande escala, foi realizado na terça-feira 2 contra o território ucraniano. Mísseis e drones atingiram diversas regiões matando pelo menos 17 pessoas e ferindo mais de 100. As cidades de Kiev e arredores, Dnipro e Kharkiv foram os alvos mais bombardeados. Kiev retaliou, com ataque a São Petesburgo.
Em meio aos ataques, integrantes da área militar russa defendem a liberação de recursos adicionais e estimam que o déficit de financiamento do setor possa alcançar 3 trilhões de rublos (US$ 41,0 bilhões) neste ano. O impasse reflete uma dependência crescente da economia russa em relação ao complexo militar-industrial. Para os defensores da manutenção dos investimentos bélicos, cortes mais profundos poderiam afetar empresas que hoje sobrevivem graças a contratos ligados à guerra.
Rússia e o risco da recessão
O país corre sério risco de recessão, em função de sua política para impedir a alta da inflação. O déficit público russo disparou para níveis recordes em 2026, mas a inflação oficial vem desacelerando. Isso ocorre por causa da política monetária extremamente restritiva do Banco Central local, pelos juros elevados, pela desaceleração da atividade econômica e pela valorização do rublo.
O país ainda tem conseguido comercializar o gás natural com a Europa, o que lhe dá fôlego. Mas todo esse cenário tende a não durar muito com o avanço da guerra e dos gastos. Segundo especialistas, o aumento contínuo do déficit público mantém riscos inflacionários relevantes para os próximos meses.
Segundo pesquisa do Moscow Times, quase 40% dos russos estão abaixo da linha de subsistência quando o cálculo considera o custo de vida percebido pela própria população, e não os parâmetros oficiais do governo.
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Apesar dos alertas da equipe econômica, a palavra final permanece com Putin. No sistema político russo, decisões relevantes sobre o orçamento dependem diretamente da aprovação do presidente, que busca equilibrar a continuidade da campanha militar na Ucrânia com a crescente pressão sobre as finanças do país.
As dificuldades já começam a provocar reações dentro do Parlamento. O deputado Valery Gartung advertiu recentemente sobre os riscos de soluções inflacionárias para cobrir déficits públicos, recordando o período de hiperinflação que marcou os anos seguintes ao colapso da União Soviética.





































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