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Economia

O trio que pode inviabilizar a privatização da Eletrobras

Três ministros do TCU levam à votação desta quarta-feira, 20, currículos de ligação com opositores do governo

Bruno Dantas, Vital do Rego e Aroldo Cedraz | Foto: TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) decide nesta quarta-feira, 20, se vai conceder aval para a continuidade do processo de privatização da Eletrobras, que vive expectativa de desestatização desde 1995.

Apenas em fevereiro do ano passado, quando o presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou uma medida provisória ao Congresso Nacional, as coisas começaram a andar. Mas outro gargalo apareceu: os estudos, elaborados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aguardam desde outubro a aprovação pelo TCU.

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Se a Corte de contas der seu veredito final até o dia 27 de abril, a privatização da Eletrobras vai acontecer ainda em maio. Nos bastidores, entretanto, um trio de ministros do órgão técnico pode se colocar no meio do caminho: Vital do Rêgo, Aroldo Cedraz e Bruno Dantas.

Vital do Rêgo

Foi o ministro que pediu vista (prazo para análise) na votação do primeiro acórdão, que tratava da outorga a ser paga pela Eletrobras à União. Também vem anunciando que pedirá vista na votação do acórdão desta quarta-feira, que trata sobre a modelagem em si, mesmo sem ter tido acesso ao relatório de forma oficial. Caso tome essa decisão, vai contrariar o regimento da Corte, que veda expressamente a concessão de mais de um pedido de vista no mesmo processo.

Ex-senador, Rêgo é filiado ao PSB, mas já foi ligado ao MDB e ao PDT. Foi indicado à vaga do TCU em 2014 pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ainda foi aliado de Dilma Rousseff, enquanto a petista era presidente. O irmão, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), é candidato à reeleição na base de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro pela força-tarefa da Operação Lava Jato por recebimento de propina enquanto era senador e presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras. Segundo a denúncia, Vital do Rêgo recebeu R$ 3 milhões de Leo Pinheiro, então presidente da OAS, para que os executivos da empreiteira não fossem convocados para depor na comissão.

Aroldo Cedraz

O relator do processo já foi deputado federal por quatro vezes, pelo MDB e pelo DEM (antigo PFL), partidos que, historicamente, dominavam o Ministério de Minas e Energia. Seu filho, Tiago Cedraz, esteve no centro do escândalo conhecido como Eletrolão, que abasteceu os cofres do PT em ano eleitoral. Na ocasião, o familiar foi acusado de ter recebido propina para vender informações privilegiadas do TCU no processo referente à usina de Angra 3.

Bruno Dantas

Ex-consultor legislativo do Senado e afilhado político de Renan Calheiros. O vice-presidente do TCU é jovem e, de acordo com bastidores, um forte aspirante a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), caso Lula vença as eleições deste ano.

A relação dos ministros com Renan é parte relevante desse contexto. O senador alagoano e seu grupo político são simpáticos à manutenção do status estatal da Eletrobras. Por isso, têm atuado para tentar frear o avanço da privatização no TCU. Calheiros responde a 25 inquéritos no STF ­— grande parte sobre atos ocorridos na era PT.

Prazo apertado para o governo

Apesar do interesse do governo federal, o TCU vem apreciando a privatização da Eletrobras de forma lenta. A votação do primeiro acórdão deveria ter ocorrido em dezembro, não fosse o atraso na apresentação do voto de Cedraz e o seguinte pedido de vista de Vital do Rêgo, que só foi apreciado em fevereiro, por inação de Bruno Dantas — a quem caberia ter definido um rito mais firme de cronograma.

Os ministros, inclusive, não incluíram o recesso das férias na contagem do prazo. A votação do segundo acórdão acontece nesta quarta-feira, dois meses depois da apreciação do primeiro.

A estratégia dos ministros é fazer com que a modelagem seja refeita, com base no balanço do primeiro trimestre de 2022, o que, na melhor das hipóteses, levaria a votação para o período eleitoral. No entanto, o novo atraso poderia obrigar burocraticamente o governo a reiniciar o processo.

O modelo estudado pelo BNDES leva em conta o balanço do quarto trimestre do ano passado. Dessa maneira, por determinação da Bolsa de Valores norte-americana, em que a Eletrobras é listada, a operação necessariamente precisa ser realizada em até 134 dias depois do fechamento do balanço. Ou seja, o prazo termina em 13 de maio.

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17 comentários
  1. Paulo Rossi
    Paulo Rossi

    Lembrem-se que o TCU é órgão auxiliar do Congresso Nacional. Portanto, os interesses são os mesmos.

  2. José Mário
    José Mário

    Que país é esse já cantava Cazuza…
    Ministros com envolvimento com corrupção e outros desmandos, agem contra o país e criam dificuldades para o desenvolvimento do Brasil.
    Até quando ficaremos reféns dessa gente?

  3. José Camargo
    José Camargo

    Esse TCU é uma vergonha.Sempre foi um valhacouto de gente enrolada com a lei.Essa é a verdade.

  4. Edson TC
    Edson TC

    No meu país, quando falamos da área pública, me sinto dentro de um presídio : para todo lado que olha, só vê bandidos….

  5. Cesar Augusto Hoff Casonatti
    Cesar Augusto Hoff Casonatti

    Os emissários das trevas não deixam o Brasil e os brasileiros em paz…

  6. Carlos Henrique Soares
    Carlos Henrique Soares

    Nossa nação está escorada em estaca podre!

  7. Roberto Fakir
    Roberto Fakir

    Tdm um desses três aí que parece com um personagem do seriado mexicano CHAVES. O cara é defeituoso. Parece que tem uma bochecha de filme de terror. Deve ser aluno da AACD e não ministro do TCU.

  8. Luiz Americo Lisboa Junior
    Luiz Americo Lisboa Junior

    Ministros de um Tribunal de contas com essa ficha corrida só no Brasil. Por isso que estamos nessa situação.

  9. Hermes
    Hermes

    Sabotar a pátria para favorecer comparsas seria o pior papel que alguém são poderia adotar. Indicados politicamente para fiscalizar gastos de governos, acabam por proteger políticos desonestos.

  10. William Bonfim
    William Bonfim

    Vejam os elementos de quem depende a privatização, parceiros de Renan Calheiros, suspeitos e parentes de suspeitos em corrupção, o Brasil não tem jeito, os militares poderiam assumir o poder para sempre.

  11. Renata Thomaz
    Renata Thomaz

    Estão esperando o ladrão e ex-presidiário voltar ao poder… A certeza de que ele vai ganhar. A revista Oeste tem razão: Há uma trama para tirar o presidente “à força ” do poder…

  12. Romeu José Paludo
    Romeu José Paludo

    Como chamar de meritíssimo um magistrado que não trabalha para o coletivo? Para o Brasil?

  13. Francisco
    Francisco

    Com farinha de má qualidade impossível fazer um pão que preste

    1. RICARDO CAETANI
      RICARDO CAETANI

      Indicação de Renan Calheiros só podia ter treta! É só que sabe fazer.

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