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Economia

Governo encerra isenção fiscal para veículos chineses montados no Brasil

Governistas reconhecem tentativas de influenciar favoravelmente a BYD, sobretudo por parte de agentes envolvidos na planta de Camaçari (BA)

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) consolidou a decisão depois de não incluir o tema na pauta da reunião de 28 de janeiro | Foto: Revista Oeste

A extinção da isenção fiscal para veículos chineses montados no Brasil ocorre depois de pressões do setor automotivo, especialmente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e da ausência de solicitação formal para prorrogação do benefício.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) consolidou a decisão depois de não incluir o tema na pauta da reunião de 28 de janeiro e prevê uma nova discussão apenas para 12 de fevereiro, ainda sem definição dos temas.

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No ambiente político, representantes do governo reconhecem tentativas de influenciar favoravelmente a BYD, sobretudo por parte de agentes envolvidos na planta de Camaçari (BA).

Apesar dessas articulações, o prazo para renovação se encerrou sem avanços, já que nenhuma solicitação oficial foi encaminhada ao órgão responsável pelas tarifas comerciais.

Projeções e impactos para o setor automotivo

O debate se intensificou depois de a Anfavea apresentar projeções que apontam impactos negativos caso se mantenham incentivos para montagem de kits desmontados.

Segundo o estudo, a substituição da produção integral por processos CKD ou SKD em larga escala poderia extinguir cerca de 69 mil postos de trabalho diretos e acarretar perdas de até R$ 103 bilhões na cadeia automotiva.

Leia também: “O amante secreto”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 305 da Revista Oeste

“O problema é manter incentivos para a simples montagem em alto volume, sem exigência de aporte de valor nacional”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, em comunicado.

A Anfavea expressou preocupação de que a continuidade desse modelo reduza investimentos em etapas industriais mais avançadas e em pesquisa, prejudicando fornecedores locais, engenheiros e a arrecadação tributária, motivo pelo qual pressionou o governo federal a não estender o regime fiscal para veículos montados via CKD e SKD.

Posicionamento das montadoras chinesas sobre o fim da isenção

A BYD ainda não se manifestou sobre o fim da isenção, mas revelou que pretende iniciar a produção completa no Brasil em 2026, acompanhando o progresso das obras em Camaçari.

A companhia iniciou sua atuação no Brasil com montagem de veículos a partir de kits CKD.

A GWM (Great Wall Motors), por sua vez, informou que trabalha com processos mais complexos, realizando montagem detalhada, pintura local e utilizando fornecedores brasileiros, além de integrar o programa federal Mover, que estimula empresas com produção local e pesquisa.

Até o momento, nenhuma das duas empresas protocolou pedido de extensão do incentivo fiscal.

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