A medida provisória (MP) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que compensa a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e de municípios com até 156 mil habitantes foi alvo de novas críticas.
Dessa vez, os setores de comércio, serviços, biodiesel e saúde criticaram o texto do Executivo e o apelidaram de “MP do Fim do Mundo”.
Receba nossas atualizações
A União Nacional das Entidades do Comércio e Serviço (Unecs) expressou “profunda preocupação e repúdio” à MP e afirmou que a medida prejudica o regime de compensação de crédito de PIS/Cofins.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
“A nova medida traz mais incerteza jurídica e econômica, obrigando as empresas, de imediato, a buscar alternativas onerosas para cumprir suas obrigações tributárias”, afirma a Unecs.
A MP, apresentada nesta terça-feira, 4, tem força de lei e entra em vigor imediatamente. No entanto, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias, mas já enfrenta resistência entre os parlamentares.
“Essas medidas representam um ataque contínuo à competitividade das empresas brasileiras e ao desenvolvimento econômico sustentável”, indica a Unecs.
Leia mais
“Em vez de promover um ambiente de negócios estável e previsível, o governo tem tomado ações que aumentam a carga tributária e a insegurança jurídica, desestimulando investimentos e prejudicando a recuperação econômica do país”, acrescenta.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) também criticaram a MP em nota conjunta.
“O mais desastroso impacto da MP 1.227 é que ela afeta diretamente o resultado das companhias ao, da noite para o dia, gerar acúmulo de créditos não monetizáveis de PIS/Cofins”, afirmam as entidades.
“A MP traz enorme incerteza para os planos de investimento já contratados, forçando a revisão destes”, acrescentou a nota.
Segundo cálculos da equipe econômica, o impacto da desoneração da folha das empresas em 2024 será de R$ 15,8 bilhões, enquanto a dos municípios será de R$ 10,5 bilhões. A MP foi editada depois de acordo do Ministério da Fazenda com o Congresso Nacional.
Leia também: “STF confirma decisão de Zanin sobre a desoneração”
As associações ligadas ao biodiesel alertam que a MP pode impactar a produção de biodiesel e o setor de proteína animal, que depende de farelo de soja.
“A medida provisória, assim, tem o potencial de destruir valor na cadeia das oleaginosas, pois represa um montante de R$ 6,5 bilhões ao ano de crédito nas esmagadoras”, afirmam.
Setor de saúde também criticou MP
O setor da saúde também manifestou “preocupação” em relação à MP.
“Para a indústria da saúde, os créditos presumidos de PIS e Cofins apropriados sobre as vendas de produtos são integralmente repassados aos preços, o que trará impactos negativos para a população, para a economia e para a própria sustentabilidade do Sistema Único de Saúde.”
De acordo com as entidades ligadas à saúde, o fim da desoneração do PIS/Cofins pode aumentar os preços dos medicamentos e dispositivos médicos, precarizar a saúde, reduzir a produtividade dos trabalhadores e afetar negativamente o PIB.
Leia também: “Governo quer arrecadar R$ 29,2 bi para compensar desoneração”
A nota é assinada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, entre outros.
A desoneração da folha permite que empresas de certos setores paguem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de salários, reduzindo assim os encargos trabalhistas.



Setor produtivo critica medida provisória da compensação da desoneração da folha 



































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.