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Economia

Entidades do comércio e da saúde criticam 'MP do Fim do Mundo'

Governo Lula editou medida provisória para compensar a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e municípios

Prévia da inflação foi divulgada nesta terça-feira, 25, pelo IBGE | Foto: Divulgação/PxHere
MP tem força de lei e entra em vigor imediatamente | Foto: Divulgação/PxHere

A medida provisória (MP) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que compensa a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e de municípios com até 156 mil habitantes foi alvo de novas críticas.

Dessa vez, os setores de comércio, serviços, biodiesel e saúde criticaram o texto do Executivo e o apelidaram de “MP do Fim do Mundo”.

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A União Nacional das Entidades do Comércio e Serviço (Unecs) expressou “profunda preocupação e repúdio” à MP e afirmou que a medida prejudica o regime de compensação de crédito de PIS/Cofins.

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“A nova medida traz mais incerteza jurídica e econômica, obrigando as empresas, de imediato, a buscar alternativas onerosas para cumprir suas obrigações tributárias”, afirma a Unecs.

A MP, apresentada nesta terça-feira, 4, tem força de lei e entra em vigor imediatamente. No entanto, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias, mas já enfrenta resistência entre os parlamentares.

“Essas medidas representam um ataque contínuo à competitividade das empresas brasileiras e ao desenvolvimento econômico sustentável”, indica a Unecs.

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“Em vez de promover um ambiente de negócios estável e previsível, o governo tem tomado ações que aumentam a carga tributária e a insegurança jurídica, desestimulando investimentos e prejudicando a recuperação econômica do país”, acrescenta.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) também criticaram a MP em nota conjunta.

“O mais desastroso impacto da MP 1.227 é que ela afeta diretamente o resultado das companhias ao, da noite para o dia, gerar acúmulo de créditos não monetizáveis de PIS/Cofins”, afirmam as entidades.

“A MP traz enorme incerteza para os planos de investimento já contratados, forçando a revisão destes”, acrescentou a nota.

Segundo cálculos da equipe econômica, o impacto da desoneração da folha das empresas em 2024 será de R$ 15,8 bilhões, enquanto a dos municípios será de R$ 10,5 bilhões. A MP foi editada depois de acordo do Ministério da Fazenda com o Congresso Nacional.

Leia também: “STF confirma decisão de Zanin sobre a desoneração”

As associações ligadas ao biodiesel alertam que a MP pode impactar a produção de biodiesel e o setor de proteína animal, que depende de farelo de soja.

“A medida provisória, assim, tem o potencial de destruir valor na cadeia das oleaginosas, pois represa um montante de R$ 6,5 bilhões ao ano de crédito nas esmagadoras”, afirmam.

Setor de saúde também criticou MP

O setor da saúde também manifestou “preocupação” em relação à MP.

“Para a indústria da saúde, os créditos presumidos de PIS e Cofins apropriados sobre as vendas de produtos são integralmente repassados aos preços, o que trará impactos negativos para a população, para a economia e para a própria sustentabilidade do Sistema Único de Saúde.”

De acordo com as entidades ligadas à saúde, o fim da desoneração do PIS/Cofins pode aumentar os preços dos medicamentos e dispositivos médicos, precarizar a saúde, reduzir a produtividade dos trabalhadores e afetar negativamente o PIB.

Leia também: “Governo quer arrecadar R$ 29,2 bi para compensar desoneração”

A nota é assinada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, entre outros.

A desoneração da folha permite que empresas de certos setores paguem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de salários, reduzindo assim os encargos trabalhistas.

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