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Um estudo da Moody’s indica que a aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode impactar negativamente o caixa de empresas dos setores de serviços, logística e varejo. A mudança será gradual, com a carga caindo para 42 horas após dois meses e 40 horas em 14 meses. A Moody’s projeta uma queda de até 12% no Ebitda dos serviços e 10% em logística e varejo, dependendo da dependência da mão de obra e da capacidade de repassar custos.
Um estudo da agência norte-americana Moody’s, divulgado nesta quinta-feira, 23, mostra que a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 pode pressionar o caixa de empresas dos setores de serviços, logística e varejo. A empresa afirma que os efeitos variam conforme a atividade econômica.
A proposta reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A mudança, porém, seria gradual: a carga cai para 42 horas dois meses depois da promulgação e chega a 40 horas depois de 14 meses.
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Segundo a Moody’s, o impacto depende do peso da folha de pagamento nos custos, da capacidade de repassar preços, do nível de automação e da flexibilidade das escalas.
6×1: serviços concentram maior impacto
Nos serviços, a Moody’s projeta queda de até 12% no Ebitda das empresas caso não haja reajuste de preços. Em logística e varejo, a retração pode chegar a 10%. Ebitda é um indicador que mede o resultado operacional e o potencial de geração de caixa de uma empresa.
Os três setores têm alta dependência de mão de obra, operação contínua e grande parcela de empregados com jornada de 44 horas. Além disso, na hotelaria, a agência identifica maior sensibilidade por causa do funcionamento ininterrupto e da escassez de profissionais para limpeza e recepção.
Setores mais automatizados têm menor risco
No varejo, o segmento alimentar tende a sofrer maior impacto devido aos custos operacionais por loja e à dificuldade de repassar aumentos aos preços. O varejo farmacêutico apresenta menor risco por causa da maior eficiência digital.
A construção civil e a indústria de transformação têm risco moderado, com pressão estimada entre 5% e 6% sobre o Ebitda. Telecomunicações e saúde registram impacto inferior a 5%, favorecidos pela automação, pelas escalas de trabalho e por regimes como a jornada 12×36.
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Agronegócio, indústria de bebidas, locadoras de veículos, óleo e gás, além de papel e celulose, apresentam os menores riscos, com pressão inferior a 5% sobre o Ebitda. Segundo a Moody’s, esses segmentos concentram custos em insumos e matérias-primas ou operam com maior automação.
A agência acrescenta, porém, que a informalidade na construção civil e na agropecuária reduz o alcance prático da norma, apesar do elevado número de trabalhadores com jornadas entre 41 e 44 horas.
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