Empresas brasileiras intensificaram o pagamento de dividendos extraordinários ao longo das últimas semanas, a fim de antecipar-se à tributação de 10% sobre esses rendimentos prevista para entrar em vigor a partir de 2026. A medida, aprovada pelo Congresso, visa a compensar a isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais.
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De acordo com levantamento do BTG Pactual, desde o início de novembro, companhias listadas na Bolsa anunciaram R$ 68 bilhões em proventos. Desse total, pelo menos R$ 35,7 bilhões correspondem a dividendos antecipados. Essa estratégia tem como objetivo resguardar os acionistas da nova regra tributária.
Setores e empresas lideram antecipação de pagamentos

O estudo do banco destaca que empresas com lucros elevados e baixa alavancagem conseguiram converter reservas acumuladas em pagamentos extras neste fim de ano. O setor imobiliário lidera a lista, com seis empresas — entre elas Even, Trisul e Eztec — pagando dividendos extraordinários que representam até 10% do valor das ações.
Entre os maiores desembolsos do trimestre estão Itaú Unibanco, com R$ 23,4 bilhões; Vale, com R$ 15,3 bilhões; Petrobras, com R$ 12,2 bilhões; e Axia (antiga Eletrobras), com R$ 4,3 bilhões. O BTG diz que parte desses pagamentos foi antecipada para aproveitar a legislação atual, de modo a evitar a nova tributação.
Leia também: “A implosão fiscal do Brasil: o déficit que rouba o futuro”, artigo de Gustavo Segré publicado na Edição 299 da Revista Oeste
Outras empresas também anunciaram valores significativos: WEG declarou R$ 7,1 bilhões em proventos; Marcopolo, R$ 790 milhões; Caixa Seguridade, R$ 1 bilhão; Fleury, R$ 362 milhões; Gerdau, R$ 555 milhões; e Ultrapar, R$ 1,1 bilhão. Na lista figuram ainda BR Partners, Lavvi, Cury, Even, Trisul, Allos, Vulcabras, Raia Drogasil, Azzas, Energisa e Metalúrgica Gerdau.
Impacto das novas regras de tributação
A regra aprovada estabelece que quem recebe até R$ 5 mil mensais ficará isento do IR, enquanto rendas anuais acima de R$ 600 mil passarão a ter uma alíquota mínima, escalonada até 10% para rendas superiores a R$ 1,2 milhão. Dividendos e outros ganhos hoje isentos serão incluídos no cálculo.
O novo sistema não adiciona uma cobrança extra, mas garante um patamar mínimo de recolhimento caso o valor atual seja inferior ao exigido. O Fisco somará salários, aluguéis, dividendos e demais rendas do contribuinte para aplicar a alíquota mínima determinada por faixa anual de rendimento.





































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