publicidade
Economia

Contas do governo central têm rombo de R$ 40,6 bi em maio

Funcionalismo, Previdência e BPC lideraram os maiores gastos

Informações sobre gastos foram divulgadas pelo Tesouro Nacional | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Informações sobre gastos foram divulgadas pelo Tesouro Nacional | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

As contas do Governo Central – que reúnem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – apresentaram déficit primário de R$ 40,621 bilhões em maio, conforme divulgado nesta sexta-feira, 27. Apesar do saldo negativo, o resultado surpreendeu positivamente ao ficar abaixo das projeções do mercado. O levantamento Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, esperava um déficit de R$ 62,2 bilhões.

O valor de maio representa queda real de 36,2% frente ao mesmo mês de 2024, quando o déficit chegou a R$ 60,408 bilhões. Ainda assim, trata-se do quarto maior déficit registrado para meses de maio, atrás apenas dos resultados observados em 2024, 2023 e 2020.

Receba nossas atualizações

Na prática, o resultado primário reflete a diferença entre receitas e despesas, sem considerar os juros da dívida pública. No acumulado de janeiro a maio, o desempenho permanece positivo, com superávit de R$ 32,198 bilhões, o melhor resultado para o período desde 2022. No mesmo intervalo do ano passado, o saldo estava negativo em R$ 28,652 bilhões.

Leia mais notícias de Economia na Oeste

Segundo o Tesouro Nacional, “na comparação com maio do ano passado, as receitas subiram e as despesas caíram”. As receitas líquidas cresceram 10,2% em valores nominais. Quando descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a alta foi de 4,7%.

As despesas totais recuaram 2,7% em valores nominais e 7,6% em termos reais, ao considerar que em 2024 houve despesas adicionais relacionadas à enchente no Rio Grande do Sul. A arrecadação tributária foi um dos fatores que sustentaram o resultado. As receitas administradas pela Receita Federal avançaram 4,7% em maio, já descontada a inflação.

Em sentido contrário, as receitas não administradas caíram 2,4% no mesmo critério, pressionadas pela redução de 27,5% nos dividendos de estatais e pela queda de 3,7% nas receitas de concessões. O crescimento de 11,9% nos royalties do petróleo, associado à desvalorização cambial, amenizou essas perdas.

Leia mais:

Governo amplia gastos com servidores e reduz despesas previdenciárias

Do lado das despesas, houve aumento significativo nos gastos com o funcionalismo público, que cresceram 10,4% acima da inflação em maio, depois do reajuste concedido aos servidores. Já os gastos com a Previdência Social recuaram 3,4% em termos reais, efeito da antecipação de benefícios a vítimas das enchentes no ano passado, que não se repetiu este ano.

As despesas obrigatórias com controle de fluxo, que incluem programas sociais, registraram queda de 7,3% em maio, descontada a inflação. Entre os principais recuos, destacaram-se as despesas com saúde, que diminuíram R$ 1,7 bilhão, e os pagamentos do Bolsa Família, que tiveram redução de R$ 1,1 bilhão durante o processo de revisão cadastral.

Já os investimentos do governo federal em obras e equipamentos somaram R$ 22,393 bilhões nos cinco primeiros meses do ano. O valor representa queda de 16,9% frente ao mesmo período do ano passado, depois do ajuste inflacionário. De acordo com o Tesouro, “essa despesa tem alternado momentos de crescimento e de queda”, o que é atribuído ao fluxo variável das obras públicas.

O ministro da Fazenda do governo Lula, Fernando Haddad: cenário econômico causa preocupação na análise do Banco Mundial | Foto: Diogo Zacarias/MF
O ministro da Fazenda do governo Lula, Fernando Haddad: cenário econômico causa preocupação na análise do Banco Mundial | Foto: Diogo Zacarias/MF

Mesmo com o superávit acumulado, há previsão de pressão adicional sobre as contas públicas nos próximos meses. O governo informou que, em julho, ocorrerá o pagamento de R$ 70 bilhões em precatórios – dívidas reconhecidas pela Justiça.

Em 2024, esse pagamento foi antecipado para fevereiro. O Orçamento de 2025 projeta déficit primário de R$ 97 bilhões. Ao considerar apenas os gastos que entram no cálculo do novo arcabouço fiscal, o déficit previsto é de R$ 31 bilhões, limite inferior da meta fiscal.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece meta de déficit primário zero para este ano, com tolerância de até 0,25 ponto porcentual do Produto Interno Bruto para cima ou para baixo, o que corresponde a um déficit máximo permitido de R$ 31 bilhões.

Leia também: “O novo saque dos fundos de pensão”, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 232 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade