Uma rede de fundos administrados pela Reag Investimentos, alvo da Operação Carbono Oculto, abriga a PKL One, empresa que intermedeia a venda e a cobrança do consignado Credcesta, do Banco Master.
A atuação da PKL One, sociedade anônima de sócios sigilosos, é central em investigações sobre fraudes que envolvem descontos em folha de pagamento de servidores e aposentados do INSS.
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Ao jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou que não houve ilegalidades na concessão dos consignados, assegurando que todos os contratos tinham aprovação dos aposentados.
O cartão Credcesta, que desconta valores diretamente do salário de servidores e aposentados, expandiu sua atuação para 24 Estados e ganhou abrangência nacional depois de iniciar operações na Bahia.
As investigações apuram suspeitas de fraudes contra beneficiários do INSS e negócios com o Banco de Brasília (BRB), que tentou adquirir parte do Master, mas teve o negócio vetado pelo Banco Central (BC).
A Polícia Federal (PF) apura a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito pelo Master ao BRB, incluindo consignados.
Uma investigação do INSS concluiu que o banco não comprovou a validade de 254 mil contratos com aposentados.
Documentos mostram que, apenas em um trimestre de 2021, a PKL One distribuiu R$ 10,8 milhões em lucros, valor que chegou a R$ 32 milhões em dezembro de 2024.
Estrutura societária e conexões políticas
A estrutura societária da PKL One envolve a Ametrino Participações e o fundo Diamond, avaliado em R$ 193 milhões, que tem como cotista o fundo Gardênia, também gerido pela Reag.
O Gardênia recebe recursos de outros fundos, entre eles o MMPG, administrado pela WNT, investigada pela Polícia Federal no caso Master.
O acesso ao mercado de consignados do Estado da Bahia foi garantido por um decreto do então governador Rui Costa (PT), atual chefe da Casa Civil do governo Lula, permitindo que quem adquirisse a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) também pudesse ofertar consignados com margem de até 30% do salário. Costa não se pronunciou sobre o caso.
Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e apontado como responsável pela entrada do Master no mercado de consignados, mantém laços políticos que vão do PT ao PL na Bahia.
Leia também: “Os tentáculos do Master”, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 305 da Revista Oeste
Casado com Flávia Peres, ex-ministra do governo Bolsonaro, Lima fundou um instituto filantrópico cuja inauguração reuniu figuras como ACM Neto (União) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Lima manteve relações próximas com Rui Costa e Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, antes e depois da criação do Credcesta.
Fontes relataram ao Estadão que, diante do avanço das investigações sobre o Banco Master, Lima se afastou de lideranças petistas.
Rui Costa teria confidenciado a aliados que não vê ilegalidade na privatização da Ebal e não teme as investigações sobre o amigo baiano.
Números suspeitos e consequências para o Banco Master
Dados do INSS revelam que, entre outubro de 2021 e setembro de 2025, análises identificaram como suspeitos 74,3% de 338 mil contratos de empréstimo consignado com beneficiários da Previdência Social.
Técnicos do INSS concluíram que o banco não comprovou a efetivação de parte significativa desses contratos.
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O Banco Master teve o acordo com o INSS para operar consignados encerrado e ficou impedido de oferecer novos empréstimos. A modalidade Credcesta foi classificada como a mais problemática.
Segundo informações obtidas pelo Estadão via Lei de Acesso à Informação (LAI), o Master tinha apenas um contrato de consignado com o INSS até novembro de 2022, saltando para mais de 100 mil em dezembro do mesmo ano.
No âmbito da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Daniel Vorcaro, a PF afirma que o Master comprou carteiras de crédito consignado de uma empresa vinculada ao próprio banco, sem conseguir comprovar a origem dos créditos.








































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