O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição de uma participação minoritária da companhia aérea Azul pela United Airlines. A decisão foi tomada pela superintendência-geral do órgão e formalizada em despacho publicado na edição do Diário Oficial da União desta quarta-feira, 31.
A operação envolve um investimento de aproximadamente US$ 100 milhões em ações ordinárias da Azul por parte dos norte-americanos. Com isso, os direitos econômicos da United na companhia brasileira passarão de cerca de 2% para aproximadamente 8%.
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De acordo com o parecer técnico que fundamentou a decisão, a operação faz parte da reestruturação societária da Azul nos Estados Unidos, conduzida por meio do chamado “Chapter 11”, mecanismo do sistema jurídico norte-americano utilizado por empresas em processo de reorganização financeira.
O procedimento começou voluntariamente pela Azul em maio. Segundo o documento, a reestruturação tem como objetivos “reduzir a dívida financiada da empresa, assegurar recursos de liquidez imediata, prevendo ainda a emissão de novas ações”.
As empresas informaram ao Cade que o aumento de capital da United na Azul ocorre por meio de duas emissões coordenadas: uma oferta pública no valor de US$ 650 milhões, já aprovada judicialmente, e um aumento de capital direcionado a parceiros estratégicos, entre eles a própria United.
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Operação entre Azul e United sob avaliação
Durante a análise, o Cade avaliou os efeitos da operação nos mercados de transporte aéreo internacional de passageiros e de cargas entre o Brasil e os EUA, onde as duas companhias atuam. O órgão identificou sobreposição de atividades, o que levou à adoção de um procedimento mais detalhado de análise.
O parecer registra que, em alguns cenários, a participação conjunta das empresas ultrapassa 20% do mercado, patamar que, pela legislação brasileira, exige uma avaliação mais aprofundada. Ainda assim, a superintendência-geral concluiu que a operação não gera riscos à concorrência.
Segundo o Cade, há presença de outros concorrentes relevantes nessas rotas e não se verifica a capacidade de fechamento de mercado ou de eliminação da rivalidade entre empresas. Além disso, o órgão destacou que a United continuará como acionista minoritária da Azul, sem assumir controle da companhia brasileira.

O documento também ressalta que a relação comercial entre as empresas não é nova. Conforme informado pelas requerentes, a parceria existe há mais de dez anos e inclui acordos de compartilhamento de voos (codeshare) e outros instrumentos comerciais firmados desde 2015.
As companhias afirmaram que a operação “não cria ou modifica os direitos da United sobre a Azul, tampouco altera os termos da relação comercial entre as requerentes”, e sustenta que não haverá mudanças na dinâmica competitiva do setor.
Ao final da análise, o Cade concluiu que a operação “possibilita auxílio a uma companhia em dificuldades, promovendo a preservação de um agente como concorrente efetivo no país”. Com base nesse entendimento, a superintendência-geral decidiu aprovar o ato de concentração sem impor restrições adicionais.
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