O Banco Regional de Brasília (BRB) tem participação em oito fundos de investimento associados ao Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central (BC) em novembro, segundo apuração da Folha de S.Paulo. De acordo com balanços do Master, os fundos reúnem cerca de R$ 8 bilhões em ativos e incluem negócios ligados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco privado.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Receba nossas atualizações
Os fundos Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I são listados pelo BC como integrantes do conglomerado do BRB, o que demonstra a presença do banco estatal como cotista. Pessoas com conhecimento da operação disseram à Folha que parte desses fundos foi entregue ao BRB para compensar perdas decorrentes da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master.
Leia mais:
BRB registrou perdas bilionárias com carteiras do Master
Entre os ativos, dois fundos mantêm investimentos ligados a Vorcaro. O Supreme Realty aplicou R$ 145 milhões em um empreendimento imobiliário ligado a uma empresa que tem como diretora Natalia Vorcaro, irmã do ex-banqueiro, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Já o Strelitzia tem participação de R$ 452 milhões na A.Life Partners, dona de bares e restaurantes; em outubro de 2024, o fundo comprou R$ 210 milhões em ações da empresa, operação na qual Vorcaro aparece como interveniente anuente. A figura é usada quando um terceiro não é comprador nem vendedor, mas assina o documento para declarar que está ciente e concorda com o negócio.
Do valor pago, R$ 180 milhões foram destinados a um fundo da XP, que aplicou os recursos em CDBs do Master com vencimento em outubro de 2025, um mês antes da liquidação da instituição. Outros R$ 29 milhões teriam sido aplicados pela própria A.Life em CDBs do Master. A XP afirmou ao jornal que a operação ocorreu em processo competitivo e seguiu práticas de compliance.

Dois fundos do conglomerado do BRB, Texas I e Kyra, são citados em investigação do Ministério Público Federal (MPF) por operações com ações da Ambipar, empresa em recuperação judicial. Segundo documentos citados pela Folha, as transações reduziram a quantidade de ações em circulação e provocaram forte valorização dos papéis, o que também é apurado pela CVM.
Controlado pelo governo do Distrito Federal, o BRB já registrou perdas de R$ 2,6 bilhões com carteiras adquiridas do Master. O banco estatal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o Master não responderam ao jornal.
Leia também: “Anatomia de uma fraude”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste
Vorcaro admite que ‘nem em seus piores pesadelos’ imaginava ser preso
Citado em depoimento de Vorcaro, Ibaneis Rocha vira alvo de pedido de impeachment
Lula comenta caso Master pela 1ª vez
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.