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Economia

BC aprovou aumento de capital no Master apesar de indícios de  circularização de recursos 

Documentos enviados à CPI do Crime Organizado expõem divergências internas e decisões da autarquia monetária

O Departamento de Organização do Sistema Financeiro identificou operações de crédito entre o Master e a Reag que somavam cerca de R$ 250 milhões | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Central (BC) autorizou, em junho de 2025, um aumento de capital do Banco Master, mesmo diante de alertas técnicos sobre possível circularização de recursos. A prática ocorre quando valores transitam entre empresas ligadas sem ingresso efetivo de novos aportes.

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Documentos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado mostram que áreas internas da autarquia relataram inconsistências na operação. O material chegou à CPI e indica divergência entre setores técnicos e a chefia da supervisão. O portal Metrópoles obteve acesso aos documentos e divulgou as informações nesta quinta-feira, 16.

Os registros revelam que o Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro identificou indícios de que o dinheiro utilizado poderia ter origem no próprio Master. 

A chefia do Departamento de Supervisão Bancária, então ocupada por Paulo Sergio Neves de Souza, adotou posição distinta e emitiu parecer favorável à operação, o que permitiu a aprovação do aumento de capital. 

Master iniciou capitalização em meio à crise de liquidez

O Master iniciou a tentativa de capitalização em janeiro de 2025. A instituição buscou elevar o capital em cerca de R$ 1 bilhão, dentro de um plano apresentado ao BC em abril, durante um período de crise de liquidez.

Técnicos da autarquia analisaram uma letra financeira de R$ 478 milhões utilizada na operação. Segundo os documentos, a Lurix Capital S.A. adquiriu o título com recursos provenientes de cessões de crédito feitas pelo próprio Master ao Banco de Brasília (BRB).

As áreas técnicas revelaram que o ativo pode ter retornado ao banco depois de uma sequência de operações. Em janeiro, a Lurix transferiu o ativo a um fundo gerido pela Reag. Em troca, a gestora recebeu participações na Master Holding, empresa sediada nas Ilhas Cayman e então controlada por Daniel Vorcaro.

Pouco depois, a estrutura societária passou por mudanças. A Master Holding foi rebatizada como Titan. Essa reorganização resultou na Reag como gestora indireta do banco.

Paulo Souza descarta hipótese de circularização 

Os técnicos também mapearam vínculos entre empresas e fundos envolvidos. O Master apareceu como cotista do Reag Growth. No fundo Astralo, surgiram como cotistas empresas ligadas a Vorcaro e familiares de João Carlos Mansur, dono da Reag.

O Departamento de Organização do Sistema Financeiro identificou operações de crédito entre o Master e a Reag que somavam cerca de R$ 250 milhões. Além disso, registrou um empréstimo de R$ 350 milhões concedido pelo banco à gestora em 2023, destinado a investimento na Steelcorp.

+ Leia também: “Câmara convoca diretor da PF para explicar viagem paga pelo Master”

Os achados chegaram ao Departamento de Supervisão Bancária. Paulo Sergio Neves de Souza rejeitou as conclusões das áreas técnicas. Ele afirmou que a relação das operações “é completamente extemporânea”.

Ele também afirmou que alguns fundos já investiam no Master desde dezembro de 2024. Esse fato, argumentou, enfraquecia a hipótese de circularização. Sobre o empréstimo à Reag, Souza declarou que a destinação dos recursos à Steelcorp já era conhecida pela supervisão.

Quatro dias depois do parecer, o Departamento de Organização do Sistema Financeiro homologou o aumento de capital. A aprovação ocorreu em 16 de junho de 2025.

Paulo Sergio Neves de Souza acabou afastado do BC. Uma sindicância interna apontou “vantagens indevidas”. Em março de 2026, uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes no Banco Master levou a Justiça a determinar o afastamento do servidor e o uso de tornozeleira eletrônica.

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