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Economia

Bancos pressionam para manter Selic em 15%, diz Haddad

O ministro da Fazenda defende corte imediato da taxa de juros na decisão do Copom de 5 de novembro

Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 4, que bancos exercem pressão para que o Banco Central (BC) mantenha os juros básicos em 15% ao ano. Ele disse que, se ocupasse uma cadeira no BC, votaria pela diminuição da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina nesta quarta-feira, 5.

Apesar de a maioria do mercado prever estabilidade na taxa, Haddad disse que já existem fundamentos econômicos que permitiriam iniciar a trajetória de queda. O ministro participou do evento Bloomberg Green Summit, em São Paulo, onde disse que os juros “vão ter que cair”.

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“Por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central para não baixar o juro, elas vão ter que cair”, disse Haddad no evento. “Não tem como sustentar 10% de juro real com a inflação batendo a 4,5%. Você vai sustentar um juro de 15%? Em nome do quê?”

O ministro da Fazenda argumentou também sobre a importância da “razoabilidade” na condução da política monetária e que doses exageradas podem ter efeito contrário ao esperado. Ele citou levantamento da consultoria MoneYou conforme o qual o Brasil possui juros reais de 9,51%, o segundo maior índice mundial.

Galípolo
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil | Foto: Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Haddad também mencionou que o Brasil apresenta desempenho superior ao de outros países da América do Sul e citou indicadores positivos. Entre eles estão a menor inflação acumulada em quatro anos desde o Plano Real, o menor desemprego em igual período na série histórica, o maior crescimento econômico desde 2010 e o melhor resultado fiscal desde 2015. Todos computados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O ministro observou que o dólar está cotado abaixo de R$ 5,40, em contraste com previsões negativas feitas por economistas do mercado financeiro. Haddad sustentou que a inflação deve se manter dentro do intervalo da meta ainda em 2025. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira 3, projeta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo em 4,55% para o próximo ano, cifra que supera em 0,05 ponto porcentual o teto da meta de 3%, cuja tolerância vai até 4,5%.

“A inflação, diziam que estaria dentro da banda da meta em 2027. Este ano nós vamos estar dentro da banda”, disse o ministro. O Banco Central, por sua vez, projeta o retorno da inflação ao intervalo da meta no primeiro trimestre de 2026.

Fonte: Reprodução/Poder360

Haddad critica mercado financeiro

Sobre as projeções para a economia, Haddad criticou o que chama de “teimosia” de agentes financeiros, especialmente no que se refere à inflação, e ressaltou que o BC usa o Boletim Focus como referência central para decisões. “Esse negócio de expectativa tem muito de torcida no Brasil”, disse. “O que eu vejo gente torcendo contra este país é um negócio impressionante no mercado financeiro.”

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já manifestou apoio ao uso do relatório Focus do mercado em pelo menos duas ocasiões. Ele refirmou a relevância do documento para a política monetária nacional.

O Banco Central, ao subir juros, visa tanto a controlar a inflação quanto a dar uma contrapartida ao risco fiscal do país. Diante da dívida pública alta, investidores estrangeiros pedem retornos mais compensatórios para financiar o governo, que já projeta despesas fora do teto de gastos para os próximos anos.

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2 comentários
  1. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Quem segura artificialmente o dólar baixo são as empresas estatais que estão no prejuízo.Pela inflação, seria perto de 6 reais como já esteve. A economia arruinada e inflação alta ,segura artificialmente, chama-se estagflação.

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