Antes de vetar a compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), o Banco Central (BC) já havia comunicado às duas instituições que a operação apresentava problemas que impediam sua aprovação.
Técnicos do Banco Central alertaram ainda em junho de 2025 que a documentação apresentada pelos bancos era insuficiente para permitir a análise da transação. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo.
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No ofício encaminhado às instituições, o BC listou cerca de 40 pontos que precisariam ser esclarecidos. Entre as exigências estavam demonstrativos contábeis, relatórios de diligência, projeções econômico-financeiras atualizadas e a definição precisa dos ativos que fariam parte da operação.
Falhas nos dados apresentados
Durante a análise da proposta, o BC identificou inconsistências na estrutura do negócio. A definição sobre quais ativos do Banco Master seriam transferidos ao BRB mudou diversas vezes ao longo do processo. A autoridade monetária também citou um relatório de diligência elaborado pela consultoria PwC.
O documento citava ausência de informações completas sobre saldos relevantes de ativos, incluindo operações de crédito, aplicações compromissadas e depósitos à vista.
Segundo o relatório, as instituições controlavam parte desses dados de forma manual, o que aumenta o risco sobre a confiabilidade das informações financeiras.
Questionamentos sobre fundo de investimento
Outro ponto levantado pelo BC foi o desempenho de um fundo ligado ao Master. Nos documentos enviados ao órgão regulador, o banco reportou rentabilidade de 4.245,81% em apenas 42 dias no Fundo de Investimento em Direitos Creditórios RSG.
Diante do número, os técnicos pediram esclarecimentos detalhados sobre a composição e o funcionamento do fundo.
Operação considerada inviável
Mesmo depois da primeira cobrança, as inconsistências permaneceram. Em novo ofício enviado em julho, o BC voltou a informar às duas instituições que a proposta não reunia condições de aprovação.
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Segundo os técnicos responsáveis pela análise, as falhas nas projeções econômico-financeiras e a indefinição sobre o perímetro da operação comprometiam a viabilidade do negócio.
Avaliação do Tribunal de Contas
O BC encaminhou a documentação ao Tribunal de Contas da União, que abriu processos para avaliar a atuação da autoridade monetária no caso.
A área técnica do tribunal concluiu que o BC agiu de forma diligente ao conduzir a análise da operação.
Para a unidade especializada em instituições financeiras da corte, há indícios de que o BRB tenha insistido na negociação mesmo diante de alertas sobre possíveis irregularidades.
Plano de expansão do BRB
Internamente, o BRB tratava a aquisição como “Projeto Vórtice”. O plano previa a compra de 58,04% do Banco Master — participação que incluiria 49% das ações com direito a voto e todas as ações preferenciais.
O BRB apresentou a operação aos investidores como estratégia de expansão nacional.
Liquidação do banco
Pouco mais de dois meses depois de o BC barrar a transferência de controle, o Banco Master teve sua liquidação decretada em 18 de novembro de 2025. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro acabou preso durante as investigações sobre o caso.
Atualmente, ele está detido na superintendência da Polícia Federal em Brasília e negocia um acordo de colaboração premiada.
Leia também: “A mancha que nada remove”, reportagem de Augusto Nunes e Cristyan Costa, publicado na Edição 313 da Revista Oeste
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