O ex-policial militar Ronnie Lessa, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi transferido neste sábado, 22, para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A decisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, depois de pedido da defesa. Lessa estava detido na Penitenciária Dr. Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra, em Tremembé, interior de São Paulo.
A mudança ocorre dentro das condições negociadas para sua colaboração premiada. Quando decidiu delatar os mandantes do crime, Lessa exigiu ser retirado do presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e encaminhado a uma unidade estadual mais próxima da família, que vive no Rio de Janeiro. Como essa condição não pôde ser atendida em São Paulo, sua defesa solicitou a transferência para a Papuda, que possui área específica para internos considerados vulneráveis, incluindo ex-policiais.
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Ronnie Lessa ficará custodiado
Lessa será mantido na Penitenciária IV do Distrito Federal, setor destinado a presos que precisam de proteção especial. A unidade já abriga Élcio de Queiroz, também condenado por duplo homicídio e que foi o primeiro a colaborar com a Polícia Federal. Foi a delação de Élcio que abriu caminho para o acordo de Lessa.
Segundo interlocutores do processo, a transferência atende a parâmetros de segurança e à necessidade de separação do detento de grupos que possam representar risco à sua integridade. A Papuda tem histórico de receber réus ligados às forças de segurança e presos com alto potencial de retaliação.
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Condenado a 78 anos e 9 meses de prisão, Lessa teve papel central no atentado de 14 de março de 2018. A colaboração dele é considerada decisiva para identificar os autores intelectuais do crime, ainda investigados. Sua mudança para Brasília ocorre em meio ao avanço das investigações e ao reforço da proteção oferecida a colaboradores do caso.
A transferência encerra um ciclo de movimentações iniciadas após a formalização do acordo com a Polícia Federal, que busca esclarecer as motivações e os mandantes da execução de Marielle e Anderson.
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