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Quem é Belão, líder do Comando Vermelho preso no Rio de Janeiro

Thiago Mendes é considerado 'braço direito' do chefe da facção na Penha, responsável por coordenar o tráfico local

Vista de carro incinerado por traficantes para tentar impedir o acesso de policiais no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro - 28/10/2025 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo
Vista de carro incinerado por traficantes para tentar impedir o acesso de policiais no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro - 28/10/2025 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

A megaoperação policial no Rio de Janeiro, na última terça-feira, 28, resultou na prisão de Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, apontado como um dos principais aliados de Edgard Alves de Andrade, o Doca, líder do Comando Vermelho (CV) na zona norte da capital. A força-tarefa, que reuniu 2,5 mil agentes das polícias civil e militar, ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão, conhecido como o “quartel-general” da facção.

Belão foi localizado na favela Chatuba da Penha, escondido em uma residência. Ele é responsável pelo comando do Morro do Quitungo e tinha seis mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio. Ele era investigado por tráfico de drogas, comércio de armas e confrontos com grupos rivais.

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De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, ele já era alvo de operações anteriores e tinha escapado de uma tentativa de prisão em julho de 2024, quando houve intenso tiroteio e apreensão de armamentos.

Segundo a investigação, Belão participava de reuniões do CV, nas quais organizava a distribuição de armas e coordenava o controle do território no Quitungo, região disputada com o Complexo de Israel, do Terceiro Comando Puro (TCP), liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. A polícia também informou que Belão atuava como “síndico” de um prédio de 24 apartamentos, onde moradores eram forçados a pagar aluguel ao grupo criminoso.

Operação no Rio de Janeiro mirava chefões do tráfico

Batizada de Operação Contenção, a força-tarefa teve como meta frear a expansão do Comando Vermelho e capturar chefes do tráfico fluminenses e de outros Estados. Além de Belão, outros integrantes da facção foram presos, armas e veículos foram apreendidos, e cinco pessoas morreram durante os confrontos nos complexos.

Havia o objetivo de cumprir 51 mandados de prisão contra integrantes do CV, sendo 30 de fora do Rio, escondidos nessas favelas, usadas como base pela facção para ampliar sua atuação territorial. Durante o confronto, um cabo do Bope foi ferido de raspão na região de mata conhecida como Vacaria e levado ao Hospital Central da corporação. Quatro policiais morreram em combate.

Não há registro de mortes de civis. Três moradores — Fernando Vinícius Lopes, Kelma Rejane Magalhães e Daniel Mello dos Santos — além de um morador em situação de rua não identificado, também foram atingidos, mas estão com saúde estável. Kelma foi baleada enquanto estava em uma academia.

Membros da unidade especial da Polícia Militar patrulham uma rua durante uma operação policial contra o tráfico de drogas na favela da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2025. Foto: Reuters/Aline Massuca

A megaoperação é resultado de mais de um ano de investigações e tinha mais 67 denunciados por associação para o tráfico e três por tortura como alvo. Os promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) apontam Doca como principal liderança do CV em comunidades como Penha, Gardênia Azul, César Maia e Juramento, algumas recentemente tomadas da milícia.

Outros chefes identificados são Pedro Paulo Guedes (Pedro Bala), Carlos Costa Neves (Gardenal) e Washington Cesar Braga da Silva (Grandão). No dia da operação, Doca passou a ter recompensa de R$ 100 mil pelo Disque Denúncia, valor antes fixado em R$ 1 mil, igualando-se à recompensa por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, chefe do CV preso há 20 anos.

Doca, que tem 55 anos, é investigado por mais de cem homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos. Em outubro de 2023, foi apontado como mandante da morte de três médicos, confundidos com milicianos durante um congresso na Barra da Tijuca.

Doca também é suspeito de ordenar ações criminosas em Gardênia e Rio das Pedras. Um de seus aliados, Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, segue foragido e seria peça-chave na disputa entre traficantes e milicianos nessas regiões. Doca já foi alvo de mais de 20 mandados de prisão e teve a preventiva decretada por organização criminosa e posse de explosivos, podendo pegar até 14 anos de reclusão.

Na manhã da megaoperação, policiais encontraram um grafite de um urso gigante armado, símbolo da “Tropa do Urso”, grupo liderado por Doca. O Disque Denúncia pede informações sobre foragidos ou pontos de tráfico pelos telefones (021 2253-1177 ou 0300-253-1177), WhatsApp (21 2253-1177) ou aplicativo, garantindo anonimato ao denunciante.

Em maio de 2025, Doca e outros dois acusados foram denunciados por ataque à 60ª Delegacia de Polícia, em Duque de Caxias. O Gaeco/MPRJ obteve a aceitação da denúncia, e os três respondem por tentativa de homicídio qualificado, dano qualificado, tortura e associação para o tráfico. O ataque teria ocorrido em 15 de fevereiro de 2025.

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