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Alternativas de produtores em meio à alta do diesel
Luis Antonio Miller, produtor de leite e soja em Tio Hugo (norte do RS), conseguiu garantir estoque por meio de um fornecedor privado pouco antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. “Comprei o diesel uma semana antes de a guerra estourar, antecipando-me por logística para não ter correria depois”, relata.
Na ocasião, Miller pagou R$ 5,37 por litro. No entanto, depois do começo dos conflitos e o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde circulam cerca de 20% do petróleo mundial —, o cenário mudou drasticamente. O fornecedor de Miller informou que não há mais garantias de volume ou prazo para as próximas cargas, e que o novo valor já orbita os R$ 7,35.
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A orientação dada ao produtor foi buscar o combustível diretamente nos postos (“preço de bomba”), onde o valor supera os R$ 7,35. Com 30% da colheita ainda por realizar e sob fortes chuvas, que dificultam o trabalho de campo, Miller vê o custo disparar.
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Em Victor Graeff (RS), o produtor Diemerson Aciel Borghardt utiliza o sistema de Transportador-Revendedor-Retalhista (TRR), autorizado pela ANP a comprar a granel e revender ao consumidor final. Ele relata que os preços saltaram da faixa de R$ 5,32 para até R$ 7,55 por litro. “Estamos muito preocupados em razão do início da colheita, em que a demanda do diesel é muito grande”, disse.
“O prejuízo tornou-se inevitável”, lamenta Borghardt, lembrando que o setor já vem de anos de estiagens consecutivas (2019-2025). Para ele, a única saída seria o subsídio governamental com a isenção total de impostos federais e estaduais sobre o combustível.
O modelo TRR é autorizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para comprar combustível a granel (especialmente diesel) de distribuidoras ou refinarias e revendê-lo diretamente ao consumidor final.
Mais de 140 municípios do RS restringem serviços
Ao menos 142 prefeituras gaúchas já enfrentam desabastecimento de diesel e precisaram interromper serviços essenciais, aponta levantamento preliminar da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) realizado na quinta-feira 19.
O número corresponde a 45% das respostas obtidas em questionário enviado aos gestores municipais — até o momento, 315 administrações participaram da consulta.
Diante da escassez, prefeitos têm priorizado áreas consideradas críticas, como o transporte de pacientes e outros atendimentos de saúde. Em paralelo, obras e atividades que dependem de maquinário pesado começaram a ser suspensas.
Há preocupação com a possibilidade de agravamento do quadro nos próximos dias, com risco de impacto em setores sensíveis. A Famurs pretende levar os dados ao governo estadual e cobrar alternativas para assegurar a continuidade dos serviços, além de pedir respostas ao governo federal.
Presidente da entidade e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira afirmou que, sem medidas para garantir o abastecimento, a tendência é de piora. “Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades”, declarou.
Os municípios, completou Adriane, precisam de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal. “Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços.”
Há também suspeitas de retenção deliberada do combustível por parte de distribuidores, à espera de novos aumentos. Diante das denúncias, a ANP abriu apuração para investigar tanto a escassez quanto possíveis práticas abusivas.
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