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Policiais revelam ao MPRJ os bastidores da operação no Rio de Janeiro

Depoimentos revelam a preparação e a escalada de violência que marcou a ação

Rio de Janeiro durante a Operação Contenção contra o tráfico de drogas na favela do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 28 outubro de 2025 | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Rio de Janeiro durante a Operação Contenção contra o tráfico de drogas na favela do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 28 outubro de 2025 | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A operação policial na Penha e no Alemão começou com um plano que previa apenas o cumprimento de mandados. O avanço do confronto, porém, levou as equipes a atuar em condições inesperadas. Depoimentos colhidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e divulgados pelo g1 neste domingo, 16, mostram como o cenário mudou ao longo do dia e revelam os bastidores da mobilização, classificada como uma das operações mais complexas do Estado.

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O relatório reúne versões do alto comando da Polícia Militar e da Polícia Civil, que descrevem a rotina de monitoramento do tráfico, as dificuldades de acesso ao terreno e a pressão imposta pelo arsenal do Comando Vermelho. Os relatos indicam que o grupo criminoso se preparou para resistir e que o número de armas em circulação influenciou cada passo das equipes.

Planejamento e mudanças na operação

Antes da incursão, as forças de segurança investiram em estudos de terreno, operações de teste e tentativas de infiltração. Delegados e oficiais confirmaram que o plano original incluía dividir a entrada das equipes entre áreas altas e baixas da comunidade, com foco na Vila Cruzeiro. Essa estratégia, segundo eles, buscava impedir deslocamentos de criminosos entre regiões dominadas pelo tráfico.

A análise prévia indicava que uma infiltração discreta seria arriscada. Por isso, a decisão final foi avançar em larga escala, com reforços das duas corporações. A investigação apontava ainda que lideranças do Comando Vermelho usavam a Penha como base para abrigar chefes vindos de outras regiões do país, o que ampliou a necessidade de mobilização.

Segundo as autoridades, as condições climáticas e o monitoramento constante do tráfico adiaram a operação mais de uma vez. Delegados relataram que qualquer movimentação de tropas era identificada pelos olheiros, inclusive na Cidade da Polícia. Para o comando envolvido, isso reduzia a margem de surpresa e exigia comunicação direta entre todas as equipes.

Emboscada, reação e horas de resgate

A virada da operação ocorreu na região da Vacaria. Relatos apontam que criminosos deixaram áreas construídas para se posicionar em pontos estratégicos, com o objetivo de atrair as equipes para uma emboscada. Policiais civis foram os primeiros atingidos, o que provocou a mudança de prioridade: a ação passou a se concentrar no resgate dos feridos.

Segundo os depoimentos, agentes do Bope entraram sob fogo intenso para retirar os colegas, em um ambiente descrito como de extrema vulnerabilidade. O terreno estreito, as barricadas e a força de fogo dos criminosos dificultaram cada avanço. Não houve, em nenhum momento, estabilização da área. Imagens aéreas mostraram grupos armados com roupas camufladas, coletes balísticos e grande quantidade de carregadores.

A operação terminou com quatro policiais mortos, 13 feridos e 121 mortos no total. Entre os sobreviventes, um delegado só resistiu graças ao torniquete aplicado por colegas, que passaram quase uma hora sob risco até conseguir transportá-lo para atendimento hospitalar.

Os depoimentos mostram que o poder bélico do tráfico e o domínio territorial do Comando Vermelho foram elementos centrais na escalada de violência daquele dia. Para parte do comando ouvido pelo MP, o problema ultrapassa o campo da segurança e envolve questões de soberania nacional.

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