Uma investigação da Polícia Federal (PF) identificou que uma fábrica de peças aeroespaciais em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, funcionava como fachada para a produção clandestina de fuzis. Segundo o relatório policial revelada pelo Metrópoles, o grupo contava com engenheiros, operadores de máquinas e técnicos especializados que criaram um sistema paralelo de fabricação com potencial industrial. Integrantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro receberiam parte do armamento produzido.
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Os investigadores da PF encontraram arquivos digitais e projetos técnicos elaborados em softwares industriais, como MasterCam e Autodesk Fusion 360. Os desenhos, que simulavam protótipos de aviação, correspondiam a peças de fuzis AR-15. As trocas de arquivos eram feitas por e-mail e WhatsApp, com títulos falsos que mencionavam componentes aeronáuticos. Durante uma operação em agosto, agentes apreenderam pen drives e HDs externos com plantas completas de canos e receptores compatíveis com armamento de uso restrito.
De acordo com a polícia, Anderson Custódio Gomes, formado pelo Senai e especialista em programação de máquinas CNC, atuava como o responsável técnico da produção. Ele teria desenvolvido códigos e modelos identificados por nomes como RX-556 e Vento Azul, usados para disfarçar o conteúdo dos arquivos. Em depoimento à PF, Gomes alegou que apenas testava programas, e não sabia que se tratava de partes de fuzis.
Logística e movimentação financeira
O relatório também revela que Wendel dos Santos Bastos era o elo entre a fábrica e o comércio ilegal. Conforme a PF, ele cuidava da compra de metais, das transações financeiras e da comunicação com os compradores. Extratos bancários anexados ao processo mostram depósitos vindos de Campinas, Goiânia e Rio de Janeiro, somando R$ 68,4 mil em dois meses.
Em mensagens obtidas pelos investigadores, Bastos e Gomes comentam encomendas para um “cliente do RJ”, identificado pela PF como possível integrante de facções criminosas. A quadrilha usava Pix, transferências fracionadas e depósitos em espécie, método que o relatório descreve como típico de lavagem de dinheiro.
A fachada empresarial por trás da fábrica do Comando Vermelho
A fábrica supostamente usada pelo grupo, a Kondor Fly, pertence ao empresário Gabriel Carvalho Belchior, que admitiu ter autorizado o uso noturno das instalações, mas negou qualquer envolvimento com a produção de armas. Segundo a PF, a omissão de Belchior foi “deliberada”, e as justificativas apresentadas pela empresa serviam apenas para mascarar a atividade ilícita.
O inquérito da 1ª Vara Criminal de Americana também inclui trocas de mensagens nas quais os investigados tratam de entregas, preços e especificações técnicas. Segundo o Metrópoles, o Ministério Público de São Paulo considerou as conversas provas diretas do comércio ilegal de armamentos.
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