Indígenas da tribo pataxó invadiram uma fazenda no extremo sul da Bahia e expulsaram o proprietário da terra e seus 14 funcionários durante a madrugada do último dia 6. O dono da Fazenda 2 Amigos, Alisson Ferreira, afirma que foi surpreendido por disparos de arma de fogo enquanto dormia.
“De madrugada fui surpreendido com inúmeros tiros”, relatou ao Jornal da Oeste Primeira Edição desta quinta-feira, 19. Os disparos atingiram a área próxima ao quarto onde estava. “Uma violência extrema, absurda.”
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Ferreira disse que seus funcionários também estavam na fazenda, alguns inclusive com crianças. “Eu tinha funcionários na propriedade com filhos pequenos”, contou. “Todo mundo foi abordado da mesma forma, de forma truculenta, violenta. Disparos, ameaças de morte a todo momento.”
Ele afirma que foi coagido a gravar um vídeo durante a ação. “Me forçaram a gravar um vídeo, na madrugada, sobre o domínio deles, falando que estaria saindo de forma pacífica.”

De acordo com o produtor, mais de cem propriedades já foram invadidas na região. Ele afirma que a situação ocorre em meio à disputa que envolve a demarcação da Terra Indígena Comexatibá. A demarcação, afirma, “é baseada em um estudo completamente viciado do início ao fim”.
A fazenda, na cidade de Prado, pertence à família de Ferreira há cerca de 25 anos e faz divisa com a Aldeia Águas Velhas, já homologada. “Convivemos muito bem com eles [os pataxós] durante muito tempo, durante 24 anos. O cacique, nós temos um bom relacionamento com ele.”
Ele afirma, porém, que “algumas pessoas mal-intencionadas têm se infiltrado nas aldeias e aliciado alguns índios e, me desculpe, alguns idiotas que caem nessa conversa”. E acrescenta: “Nós não podemos generalizar os pataxós como um todo, mas tem pataxó envolvido nisso”.
Produtor cita voto no STF sobre retirada de invasores de terras
O produtor citou ainda decisão recente do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a retirada imediata de invasores em casos posteriores ao início do julgamento da ação sobre o tema, independentemente de se tratar de terras indígenas ou propriedades privadas.
“Se tratando de invasões comprovadamente posteriores ao início do presente julgamento, a Polícia Federal, Força Nacional e Segurança Pública, em conjunto com a Polícia Militar do local da invasão, deverão proceder à retirada imediata dos invasores”, leu Ferreira, ao citar trecho do voto do ministro.
Ferreira afirmou que procurou autoridades estaduais e federais e que o secretário de Relações Institucionais da Bahia entrou em contato para tratar do caso. “A gente espera que sejam tomadas [as providências] o mais breve possível, para evitar um conflito”, disse.





































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