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Operação da Polícia Civil mira esquema de lavagem de dinheiro na cracolândia

O 'sistema' envolvia figuras ligadas ao PCC e era aplicado através de um banco, casas de câmbio e empresas

Polícia Civil fez operação na Cracolândia
Diligência faz parte da Operação Downtown, empreendida pela agência | Foto: Reprodução/Instagram

A Polícia Civil de São Paulo iniciou a quinta fase da Operação Downtown nesta sexta-feira, 23, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na cracolândia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O sistema, descrito pelo delegado Fernando José Santiago do Denarc como “sistema bancário do PCC”, envolve um banco, casas de câmbio e empresas no Brasil e no Uruguai, incluindo uma offshore ligada ao escritório panamenho Mossack Fonseca, envolvido no escândalo do Panama Papers.

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A operação contou com 31 mandados de busca e apreensão, sendo 26 em São Paulo, quatro no Paraná e um no Rio Grande do Sul, além do bloqueio de 41 contas bancárias. Esta fase é um desdobramento de ações anteriores que investigaram uma rede de 78 hotéis e empresas de reciclagem usadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) no tráfico de drogas em São Paulo.

Ao utilizar relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os investigadores rastrearam o fluxo de dinheiro da cracolândia até doleiros e offshores no Brasil, nas Ilhas Virgens Britânicas e no Uruguai. “Boa parte dos investigados está interligada por meio de transferências bancárias realizadas em suas contas-correntes”, afirmou Santiago.

Empresas de fachada

Marcelo Carames, tido como figura central no esquema, administrava o Hotel Tupy, interditado pela Justiça. A investigação também ligou Carames a Sheila Costa, dona de hospedarias como a Nosso Lar, e a Ricardo Galian, envolvido no furto de 2005 ao Banco Central de Fortaleza.

Empresas como Hortifruti Galian e Spina & Spina foram usadas para transferir dinheiro para a Vemax, que por sua vez tinha vínculos com Daniela Romano e Andressa Borges, acusadas de tráfico.

“Boa parte desses valores foi depositada em agência bancária situada na área da cracolândia por meio de cédulas de pequeno valor, logo, cédulas com as mesmas características daquelas utilizadas por dependentes químicos”, explicou o delegado.

A Vemax operava em nome de pessoas que desconheciam sua existência, incluindo uma moradora de rua.

Os recursos movimentados envolviam empresas como Via Neman, Banco Bidu e outras, ligadas a Caio Neman, cujo pai, Dalton Baptista Neman, também está envolvido. A família Neman negou envolvimento com lavagem de dinheiro.

Esquema de lavagem de dinheiro na cracolândia era ‘sofisticado’, diz relatório

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Usuários de drogas na cracolândia, centro de São Paulo | Foto: Shutterstock

A investigação também descobriu a atuação de Danilo Pechin, acusado de ordenar a morte de um advogado, e Wilson Decaria Junior, o Tio. As conexões entre várias empresas, como Suprema Gestão e Guardiões Câmbio, revelaram um esquema complexo que envolve figuras como Valdecy Soares Coelho e a família Khaled Mustafa.

Empresas como Valzer e TWS movimentaram milhões em períodos curtos, levantando suspeitas de serem usadas para dissimulação de capitais.

A conclusão do relatório é que traficantes da cracolândia utilizam um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro facilitado por associados ao PCC. O Estadão não conseguiu contato com as defesas dos envolvidos.

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