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Brasil

Gérson e o Maracanã

Craque tricampeão em 1970 falou com Oeste sobre a Seleção Brasileira e o futebol europeu

Gérson Seleção Brasileira Copa 1970
Gérson foi um dos protagonistas da Seleção Brasileira na Copa de 1970 | Foto: Reprodução/CBF

Gérson de Oliveira Nunes estava sentado na cabine da Rádio Tupi FM, no Maracanã, uma hora antes do jogo entre Brasil e Chile, pelas Eliminatórias, no último dia 4. Há anos, ele exerce a função de comentarista. Conversava com a produção e com o lendário narrador José Carlos Araújo, o Garotinho, com a vivacidade de sempre.

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Aos 84 anos, não deixava de, vez ou outra, se voltar para aquele campo mundialmente consagrado. O tapete estirado lá embaixo, onde ele desfilou seu talento com a canhota, o consagrou como um dos maiores meias da história. O futebol está em sua alma. Ele joga e comenta sempre como se estivesse interagindo com amigos.

Nem entrevistas o ex-craque costuma recusar quando o assunto é esse. Não se incomodou quando aquela gostosa prosa de botequim foi interrompida por Oeste, que lhe pediu uma rápida conversa. Sobre o tema, ele está sempre disposto a caprichar na fala. Como caprichava no passe. Outra época, não é, Canhota?

Sim, mas ele sabe dizer as diferenças entre a geração que se seguiu à conquista da Copa de 1970, da qual ele participou como um dos protagonistas, e a atual. Suas palavras, com aquele conhecido sotaque, saem um pouco mais fracas por causa da idade, mas com outro tipo de força.

Uma dose de indignação, que se transforma em prazer. Afinal, o assunto é futebol. O estádio é seu segundo lar. E a Seleção, uma parte de sua vida, esteja ela bem ou não.

Até 1994, os craques que se seguiram à conquista do tri não conseguiram, por 24 anos, recolocar a Seleção Brasileira no topo. Em 2026, a atual geração completará 24 anos sem um título mundial.

Gérson, que atuou no Flamengo, Botafogo, Fluminense e São Paulo, sabe que a defasagem do futebol brasileiro em relação ao europeu não existia em termos técnicos até os anos 2000. Algo que, de uns 15 anos para cá, começou a existir.

“A diferença entre os momentos é que o europeu hoje não é só força”, afirmou Gérson. “Eles têm técnica, pelos jogadores que importaram, sul-americanos, africanos. Então, ficou diferente.”

“O nosso problema agora, nós sul-americanos, é que os nossos jovens estão indo para a Europa e estão voltando os mais veteranos e os que estão iniciando. Por isso, está dando essa diferença grande.”

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A concorrência para vencer uma Copa do Mundo, agora, é muito maior, segundo ele.

“Está mais difícil ganhar uma Copa do Mundo atualmente, mas não impossível, naturalmente. E nós estamos esperando, com esse trabalho de agora, do técnico Carlo Ancelotti, melhorar 100%.”

Gérson aprova Ancelotti

Para Gérson, a escolha por um treinador europeu consagrado é um bom caminho.

“Eu acho que ele vai trazer o know-how dele, da Europa, vai implantar na Seleção, que já está acostumada a isso, já que a maioria joga na Europa”, afirmou o ex-craque. “Eu acho que essa junção vai dar resultado.”

Minutos depois, ele desceu para o gramado, para ser homenageado junto com outros campeões mundiais pelo Brasil. Foi aplaudido pela multidão, que, naquele dia, reviveu velhos tempos. Gérson se sente em casa também nas suas lembranças.

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2 comentários
  1. JOSE GERALDO VIANA
    JOSE GERALDO VIANA

    Esse eu aprendi a admirar pelo futebol objetivo e brilhante. Conversava com a bola, tal como seus companheiros Garrincha, Nilton Santos, Didi, Zagalo, Jairzinho, Paulo César Caju e outros tantos que vi jogar e que honraram o manto da “Estrela Solitária.” Que poderia, também, ser cognominada “Solidária”, tamanho o conjunto demonstrado pela equipe. Jogavam por música. Por essas e outras, senti-me orgulhoso com o Brasileiro conquistado pelo meu Galo, exatamente sobre o Botafogo de Gerson & companhia, em pleno Maracanã. Aquilo, sim, era a verdadeira festa do futebol.

    1. Eugenio Goussinsky

      Obrigado pela mensagem e por seu bonito depoimento, José Geraldo

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