O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, assassinado a tiros em setembro no litoral paulista, foi morto por ordem do alto comando do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo denúncia apresentada nesta sexta-feira, 21, pelo Ministério Público do Estado.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que a facção ordenou o crime como vingança pelo trabalho do delegado ao longo de mais de 40 anos no combate ao grupo criminoso.
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A cúpula do PCC já havia determinado a morte de Ruy Ferraz Fontes pelo menos desde 2019. Um relatório policial cita uma carta manuscrita apreendida naquele ano, na qual a liderança da facção cobrava a execução de agentes públicos, entre eles o delegado.
“A sintonia geral [cúpula geral] vem cobrando o resultado dos trampos passados para nossos irmão da zona leste e ABC (…) contra os vermes que vem prejudicando o andamento dos trabalhos da família FM ABCD (…) Irmãos responsáveis: Koringa, Mimo, Barata, Terere, Corintiano. Missão: delegado Ruy Ferraz Fontes. Apoio dos 14”, diz o documento.
O MP denunciou oito suspeitos por integrar organização criminosa armada, homicídio qualificado consumado e tentado, porte de arma de uso restrito e favorecimento pessoal. A morte havia sido inicialmente associada à atuação dele como secretário municipal em Praia Grande, hipótese descartada pelos promotores.
Quem são os denunciados pela morte do ex-delegado-geral

Os nomes abaixo foram denunciados como executores e participantes do plano.
- Felipe Avelino da Silva (vulgo Mascherano);
- Flávio Henrique Ferreira de Souza (Beicinho ou Neno);
- Luiz Antonio Rodrigues de Miranda (Gão ou Vini);
- Dahesly Oliveira Pires;
- Willian Silva Marques;
- Paulo Henrique Caetano de Sales (13 ou PH);
- Cristiano Alves da Silva (Cris Brown);
- Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Pan, Fiel ou Penelope Charmosa).
Trajetória de Ruy Ferraz, que atuava contra o PCC
Ruy ingressou na Polícia Civil nos anos 1980 e atuou em unidades como Denarc, Dope e Deic. No início dos anos 2000, divulgou organogramas do PCC e comandou o indiciamento da cúpula da facção em 2006, incluindo Marcola.
Segundo a denúncia, o plano teve planejamento “minucioso”: vigilância da rotina da vítima, imóveis de apoio, carros de fuga, desligamento de câmeras e acesso a armas de alto calibre.
O grupo montou bases em Praia Grande, Mongaguá e na capital. Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, o “Pan” ou “Penelope Charmosa”, é apontado como articulador central e integrante do PCC com função de “disciplina” no Grajaú.
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Para o MP, a motivação foi torpe: retaliação direta ao enfrentamento de Ruy ao “estado paralelo imposto pelo PCC”. O ataque ocorreu em via pública e colocou outras pessoas em risco.
O MP ainda apura a participação de outros envolvidos e aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.





































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