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Depois de 28 anos no Brasil, empresa de energia pode deixar o país

A norte-americana AES Corporation, controladora da AES Brasil, ainda não confirmou a notícia; mercado diz que não será surpresa

AES Brasil Energia
Até 2018, a AES Brasil tinha participação majoritária na Eletropaulo, quando a Enel assumiu 70% da empresa paulista | Foto: Divulgação/AES Brasil Energia

A empresa de energia norte-americana AES Corporation, controladora da AES Brasil (AESB3), poderá deixar o país depois de 28 anos de investimento no mercado brasileiro. O grupo tem participação na recém-privatizada Light (LGT3), que opera no Estado do Rio, além de ser o dono da Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê (AES Tietê), presente em São Paulo, Mato Grosso, Bahia, entre outros.

Os investimentos da AES Corporation no Brasil começaram em meados de 1996, de acordo com reportagem do Estadão. Além da Light e da AES Tietê, a norte-americana, especializada em geração de energia renovável, também já teve uma fatia importante na Eletropaulo, empresa presente no cotidiano dos moradores de São Paulo.

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A informação de que o grupo se prepara para deixar o Brasil surgiu no mercado na semana passada, quando o colunista do O Globo Lauro Jardim fez a divulgação.

Segundo o jornal, a AES Corporation contratou os bancos Itaú e Goldman Sachs para auxiliar na venda dos ativos no país.

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Em 2019, a AES Brasil inaugurou complexos solares de 300 MW no interior de São Paulo, com um investimento de R$ 1,2 bilhão | Foto: Divulgação/AES Brasil Energia

Na terça-feira, 30, a AES Brasil disparou um comunicado ao mercado em que confirma que a controladora AES Corporation está avaliando “alternativas para financiar o crescimento da companhia e reforçar sua estrutura de capital, não havendo qualquer conclusão a este respeito [saída] até o momento”.

Em 2021, a AES Brasil chegou a projetar a aceleração de um plano de crescimento da empresa, com oferta pública aprovada para a captação de até R$ 1,8 bilhão.

Leia também: “AES Brasil aprova oferta pública e pode captar até R$ 1,8 bilhão”

Mercado diz não se surpreender com a notícia

Os analistas ouvidos pelo Estadão afirmaram que, se a notícia se confirmar, não será uma surpresa para o mercado, pois há anos a empresa já vinha se desfazendo dos ativos brasileiros, como no caso da Eletropaulo.

A AES tinha participação majoritária na concessionária até que, em 2018, a Enel assumiu 70% da empresa paulista.

Leia também: “Depois de apagões elétricos, Tarcísio critica Enel e contesta renovação de contratos em São Paulo”

A analista Tuanny Blumer, sócia da Black Financial, ressalta algumas dificuldades no caminho para encontrar um comprador para a AES Brasil, caso a notícia da saída do grupo se confirme.

“Há preocupações com o cenário no Brasil de preços baixos no mercado de eletricidade”, explicou. “Isso poderia dificultar operações de fusões e aquisições no setor de geração de energia. A conjuntura econômica e regulatória, particularmente em relação aos preços da eletricidade, pode impactar os planos da AES.”

No terceiro trimestre de 2023, a AES Brasil apresentou como lucro líquido R$ 124,4 milhões, um valor 21% a mais do que o reportado no mesmo período no ano anterior. A receita líquida avançou 15,5%, passando de R$ 786,6 milhões para R$ 908,6 milhões.

Segundo relatório da empresa Genial Investimentos, este resultado ficou “ligeiramente acima” das expectativas.

Ações
As empresas de investimentos Quantzed e Genial recomendam que aqueles que já têm papéis da AES Brasil posicionados os mantenham na carteira | Foto: Reprodução/AES Brasil Energia

Veja a orientação para quem tem ações da AES

Os analistas financeiros orientam que os investidores com ativos na carteira devem aguardar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) para garantir algum prêmio sobre os papéis.

Segundo o analista da Benndorf Research, João Lucas Tonello, as ações da AES estão caras do ponto de vista técnico, mantendo-se em um intervalo de preço entre R$ 9,60 e R$ 13,10, sem tendência definida para os próximos meses, conforme explicou em entrevista ao Estadão.

“Essa informação junto a dados mais fracos”, explicou, “do ponto de vista fundamentalista, mostra que não devemos ter posição comprada no ativo acreditando em fortes movimentações de alta.”

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6 comentários
  1. Judson Franchi
    Judson Franchi

    O que pode acontecer também é determinado gabinete de Brasília ao saber que esta empresa pode sair do país é requisitar seu passaporte.

  2. Pedro Hemrique
    Pedro Hemrique

    Como está tudo de ponta cabeça neste país do faz de contas pode ser que outras empresas deixem de operar por aqui. A insegurança jurídica ou não são estarrecedoras!

  3. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    A AES Eletropaulo, que operou em S. Paulo, não era lá grande coisa. A ENEL, que adquiriu 70% da empresa, conseguiu fazer o que a AES Eletropaulo estava tentando fazer: transformou o serviço em um porcaria digna de uma republiqueta bananeira. Hoje a tal de ENEL que deixou a cidade sem energia elétrica por uma semana depois de um temporal, já nem sequer se dá ao trabalho de apresentar a fatura da conta de energia. Quem quiser pagar que vá até o site dela da internet e encontre a fatura para poder pagar. Acho que ela descobriu que ganha “mais algum” com a multa do atraso de pagamento, além de não ter o trabalho de imprimir a conta no ato da leitura.

  4. Carlos Eduardo Ferreira Godoy Gomes
    Carlos Eduardo Ferreira Godoy Gomes

    Preços baixos de energia ? Só pode ser ironia…

  5. Herbert Gomes Barca
    Herbert Gomes Barca

    a pode deixar que o preço da energia vai subir sim, não tenhamos dúvidas

  6. Marcos Antônio Braz lucas
    Marcos Antônio Braz lucas

    O preço do KWh está barato no Brasil ? De onde está consultora de investimentos tirou esta ideia ?

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